12/12/25
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) transformou a rejeição em sua principal marca política na tentativa de retorno ao Palácio das Esmeraldas. As pesquisas mais recentes deixam pouco espaço para dúvida: o tucano aparece de forma recorrente como o nome mais rejeitado entre os pré-candidatos ao governo de Goiás, liderando esse ranking negativo em levantamentos do Paraná Pesquisas, da Goiás Pesquisas/Mais Goiás e da Real Time Big Data. O recado do eleitor é direto: Goiás não quer reviver esse passado.
Na pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, realizada entre 2 e 5 de dezembro, 39,2% dos eleitores afirmam que não votariam em Marconi “de jeito nenhum” — índice que o isola no topo da rejeição. Adriana Accorsi (PT) aparece bem atrás, com 24,4%, seguida por Wilder Morais (PL), com 13%. Já o vice-governador Daniel Vilela (MDB) registra apenas 10,3%, o que escancara o abismo entre a rejeição de Marconi e a dos demais concorrentes. Na prática, o tucano carrega quase quatro vezes mais resistência que o principal nome da base governista.
O segundo levantamento, da Goiás Pesquisas/Mais Goiás, não altera o roteiro. Adriana Accorsi lidera numericamente a rejeição, com 31,9%, mas Marconi surge colado, com 29,3%, novamente muito acima de todos os outros candidatos. Daniel Vilela mantém um dos menores índices, com 10,2%, reforçando que a rejeição ao tucano não é circunstancial, mas estrutural e persistente.
A Real Time Big Data fecha o diagnóstico. Na pesquisa realizada nos dias 3 e 4 de dezembro, Marconi volta ao topo da rejeição, com 41%, empatado com Accorsi. O dado é simbólico: o ex-governador atinge um patamar de rejeição igual ou superior ao do PT em Goiás, algo impensável para quem tenta se vender como alternativa viável ao atual grupo no poder.
A repetição dos índices mostra que o eleitor goiano não esqueceu — nem perdoou — o legado deixado pelo tucano. Desde que deixou o governo, em 2018, Marconi coleciona derrotas: perdeu a eleição para o Senado naquele ano, viu seu sucessor, José Éliton, naufragar na disputa estadual e voltou a ser derrotado em 2022, em nova tentativa frustrada de retornar ao Congresso.
O desgaste tem raízes profundas. No último mandato, entre 2015 e 2018, Goiás mergulhou em desequilíbrio fiscal, teve políticas públicas desmontadas e foi alvo de operações policiais que investigaram desvios de recursos públicos. Ao mesmo tempo, o Estado enfrentou uma explosão da criminalidade, figurando entre os mais violentos do país.