Goiânia, 15/01/2026
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Jornal Opção prevê superbase ao lado de Daniel Vilela em 2026

04/01/26

A definição formal da chapa majoritária governista em Goiás está prevista apenas para o período entre abril e maio de 2026. Mesmo assim, o cenário da sucessão estadual já apresenta sinais claros de consolidação em torno do vice-governador Daniel Vilela, apontado como candidato natural à continuidade do projeto liderado pelo governador Ronaldo Caiado. Levantamento e apurações do Jornal Opção indicam que a base aliada caminha para formar uma coligação robusta, com musculatura partidária e territorial considerada difícil de enfrentar.

Segundo lideranças ouvidas pela publicação, a tendência é que a chapa para governador e senador reúna quatro das principais forças partidárias do país: MDB, União Brasil, PL e PSD. Caso o desenho se confirme, o bloco contará com forte capacidade financeira, ampla presença nos municípios e tempo expressivo de propaganda eleitoral.

O redesenho político ganhou força após as eleições municipais de 2024. Dos 26 prefeitos eleitos pelo PL em Goiás, 14 já aderiram formalmente à base governista, enquanto outros dois mantêm conversas avançadas. A avaliação interna é de que esse movimento tende a se intensificar no início de 2026, ampliando o esvaziamento da oposição.

Diante desse quadro, a direção do PL passou a adotar discurso mais rígido contra dissidências. A legenda sinalizou que não aceitará “traições” no próximo pleito, sobretudo de lideranças que ainda não definiram posição. Um dos nomes citados nos bastidores é o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), ex-presidente estadual do MDB e que retomou interlocução com Daniel Vilela. Sobre o tema, Márcio tem afirmado que “ainda não é o momento de tratar desse assunto”.

Além dos prefeitos, o deputado federal Gustavo Gayer (PL), principal representante do bolsonarismo no estado, também aparece como possível aliado do vice-governador. Circulam especulações sobre sua presença na chapa majoritária ao Senado, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil).

O realinhamento reforça a vantagem do grupo governista. Em 2022, Ronaldo Caiado venceu a reeleição em 240 dos 246 municípios goianos, no primeiro turno, com 51,81% dos votos válidos. A expectativa na base é que Daniel Vilela herde parcela significativa desse capital eleitoral.

Podemos confirma alinhamento
O alinhamento também alcança outras siglas. O deputado federal Glaustin da Fokus, presidente estadual do Podemos, afirmou que o partido já integra o projeto de continuidade.

“Nós temos falado muito com o Daniel. Acredito que será um projeto de sequência”, declarou. Para ele, o principal adversário do vice-governador tende a ser o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). “Ele fez muita coisa pelo Estado e tem um espólio político que tenta se reorganizar na oposição”, avaliou.

Glaustin destacou a estratégia de diálogo adotada por Daniel. “O Daniel está fazendo a coisa correta, conversando com os partidos e com os parlamentares. O Podemos hoje é um partido de base e está ajustado com ele para a eleição que vem”, afirmou. Segundo o deputado, a sigla também dispõe de nomes para compor a chapa. “Temos bons quadros para a vice, projetos sem vaidade e sem ego. Um desses nomes é o do ex-senador Luiz do Carmo, que tem forte inserção no segmento evangélico em Goiás”, disse.

Base amplia domínio institucional
A base de Ronaldo Caiado saiu fortalecida das eleições municipais de 2024. União Brasil, MDB, PP, Podemos, Avante, Agir, PRD e Republicanos elegeram juntos 181 prefeitos, incluindo Goiânia, Aparecida de Goiânia e Rio Verde. O União Brasil venceu em 94 municípios, governando cidades que concentram cerca de 2,1 milhões de habitantes. O MDB, sob comando estadual de Daniel Vilela, conquistou 40 prefeituras.

Na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o líder do governo, Talles Barreto (União Brasil), é um dos principais articuladores da pré-candidatura. Segundo ele, a base já soma 31 dos 42 deputados.

“Hoje temos 31 parlamentares na base, e esse número pode aumentar. Existe, inclusive, a expectativa de que o próprio PL venha a caminhar conosco”, afirmou. Ele ressaltou a estabilidade política. “Não tivemos praticamente nenhum problema na Assembleia. Os projetos do Executivo tramitam com rapidez e são aprovados”, disse.

Para Talles, Daniel simboliza continuidade. “O projeto Daniel é a sequência do governo Ronaldo Caiado, que tem hoje uma das melhores avaliações do país. É um governo que chegou na ponta, especialmente na segurança pública e na educação”, avaliou.

Sudoeste, Entorno e Norte consolidam apoio
No Sudoeste goiano, a maioria dos pré-candidatos a deputado estadual e federal tende a apoiar Daniel Vilela, natural de Jataí, terra natal de seu pai, Maguito Vilela. Entre as lideranças está o ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale (União Brasil), cotado para a chapa majoritária, e a deputada federal Marussa Boldrin (MDB).

A Região Metropolitana do Entorno do Distrito Federal, criada em 2023, reúne 11 municípios, cerca de 1,3 milhão de habitantes e quase 800 mil eleitores. Segundo o secretário estadual do Entorno, Pábio Mossoró, todos os prefeitos da região e da RIDE integram a base governista, com exceção de Pirenópolis.

“Sem dúvida nenhuma, o Entorno será mais uma vez decisivo. A região cresce em população e, automaticamente, se expande eleitoralmente”, afirmou. Para ele, os investimentos do governo se convertem em apoio político. “Esses investimentos do governador Ronaldo Caiado se transformam em crédito eleitoral para o Daniel Vilela”, disse.

No Norte goiano, a prefeita de Porangatu, Vanusa Valadares (União Brasil), confirmou atuação direta na articulação. “Nós pertencemos ao grupo político do governador Ronaldo Caiado e temos um histórico dentro do MDB desde o início da nossa vida pública”, afirmou. Segundo ela, 19 dos 20 municípios da região já estão alinhados ao projeto.

Com base ampliada, domínio institucional e apoio regional, o grupo governista trabalha para chegar a 2026 com vantagem expressiva e uma coligação de alcance estadual.


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