04/01/26
O ex-governador Marconi Perillo, pré-candidato ao Governo de Goiás, decidiu se manifestar sobre a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, mas sem assumir posição clara. Em nota divulgada nas redes sociais, Marconi condenou a ditadura de Nicolás Maduro, rejeitou a intervenção estrangeira e também criticou a postura do presidente norte-americano Donald Trump, num texto que distribui reprovação para todos os lados e não indica alinhamento político definido.
Na avaliação do ex-governador, a retirada de Maduro do poder traz alívio, mas o método adotado levanta ressalvas. “Nicolás Maduro foi retirado da Venezuela por forças militares dos Estados Unidos. Uma invasão estrangeira em outro país nunca é uma boa notícia, mas a saída de um ditador que fraudou eleições e se recusa a sair do poder é alvissareira”, escreveu.
Na sequência, Marconi voltou-se contra Washington, após Trump afirmar que os Estados Unidos pretendem conduzir a transição política venezuelana e administrar o petróleo do país. “A manifestação do presidente Donald Trump de que o governo norte-americano vai administrar a Venezuela e o petróleo do país, no entanto, é digna de repúdio. Quem precisa administrar a Venezuela e suas riquezas é o povo venezuelano”, afirmou.
O texto segue defendendo uma saída institucional conduzida por países da região, sem detalhar como isso ocorreria. “O governo brasileiro e dos demais países vizinhos têm agora o dever de defender a transição democrática de poder na Venezuela. Sair de uma ditadura para cair em outra não é o que o povo venezuelano e os democratas de todo o mundo esperam”, concluiu.
A cautela de Marconi contrasta com posições mais diretas adotadas por outras lideranças políticas brasileiras, que escolheram apoiar ou condenar de forma objetiva a ação norte-americana. Ao optar por uma crítica dupla — ao regime chavista e à intervenção dos EUA —, o ex-governador mantém a linha de neutralidade que costuma marcar suas manifestações públicas em temas polarizados.
Enquanto isso, os desdobramentos do ataque seguem sob tensão. Segundo comunicado do governo venezuelano, bombardeios atingiram também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Testemunhas ouvidas pela agência Reuters relataram explosões, aeronaves sobrevoando a capital e colunas de fumaça em diferentes regiões de Caracas a partir das 2h, no horário local.
À noite, a Casa Branca divulgou, em um perfil oficial no X, um vídeo que mostra Nicolás Maduro algemado e escoltado por agentes da agência antidrogas dos Estados Unidos, em Nova York. Nas imagens, ele cumprimenta os policiais em inglês ao chegar à unidade onde permanece detido enquanto aguarda julgamento.
De acordo com informações divulgadas por Washington, Maduro foi capturado durante uma incursão militar na capital venezuelana, que mobilizou navios e aeronaves. Sob o argumento de combate ao narcotráfico, Trump afirmou ter autorizado a operação e declarou que os Estados Unidos conduzirão o processo de transição política e assumirão o controle do setor petrolífero. A Venezuela concentra a maior reserva de petróleo do mundo e abastece países como China e Rússia, rivais estratégicos dos norte-americanos.