Goiânia, 15/01/2026
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Anúncio da ida de Aava Santiago para o PSB tem sabor agridoce para o PSDB

10/01/26

A confirmação da migração da vereadora Aava Santiago para o PSB, legenda que passará a presidir em Goiás, foi recebida de forma dividida no PSDB. Embora a parlamentar tenha sinalizado que seguirá formalmente no ninho tucano até a abertura da janela partidária, em março, a decisão já produz efeitos internos. Segundo apuração da coluna, o movimento, alinhavado na segunda-feira, desagradou ao ex-governador Marconi Perillo, principal liderança do partido no Estado e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas.

Marconi teria pedido que a aliada aguardasse mais tempo o avanço das negociações pré-eleitorais antes de selar qualquer acordo e lamentou a perda de um nome considerado estratégico para uma eventual chapa de deputados federais. Ao mesmo tempo, interlocutores do tucanato relatam que o ex-governador também expressou um sentimento de “alívio”.

Nos bastidores, integrantes da cúpula avaliam que a saída anunciada reduz potenciais desgastes ao projeto marconista, diante da proximidade política de Aava com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a primeira-dama Janja Lula da Silva. Essa relação, segundo tucanos, poderia gerar ruído em um palanque estadual que não dialoga com o governo federal.

O histórico recente reforça essa leitura. Em setembro de 2022, Aava e outros quadros do PSDB goiano declararam apoio a Lula. Dentro do partido, há quem afirme que esse episódio foi explorado nas redes sociais por Wilder Morais (PL) durante a disputa pelo Senado, na qual Marconi saiu derrotado.

No entorno de Aava, o incômodo segue lógica oposta. Aliados da vereadora apontam resistência do PSDB em apoiar a reeleição do presidente da República como um obstáculo político. Ainda assim, Aava tem afirmado que, mesmo à frente do PSB, pretende continuar engajada no projeto eleitoral de Marconi em Goiás.

No núcleo mais próximo do ex-governador, porém, a avaliação é cética. A percepção predominante é de que sustentar essa convergência será “muito difícil”, sobretudo em razão do alinhamento nacional e das posições divergentes entre as legendas.


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