15/02/26
Os 37 vereadores de Goiânia utilizaram ao menos R$ 5,83 milhões da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap) ao longo de 2025. O dado consta em levantamento com base no Portal da Transparência da Câmara Municipal. A maior parcela das despesas foi destinada à divulgação das atividades dos mandatos, que somou R$ 2,1 milhões. Em seguida aparecem consultoria jurídica, com R$ 1,8 milhão, e manutenção de escritório, com R$ 794,4 mil.
O ano marcou a primeira utilização integral da verba indenizatória, criada em dezembro de 2024 para custear despesas relacionadas ao exercício do mandato. Até outubro do ano passado, o teto mensal para reembolso era de R$ 15.527,11. Após reajuste de 4,85% na data-base dos servidores municipais, em setembro, o limite passou a R$ 16.277,11. Em nota, a Câmara informou que o valor total reembolsado em 2025 “foi abaixo do valor estimado que foi empenhado pela Câmara Municipal de Goiânia por meio da Lei nº 11.308 de 30 de dezembro de 2024”.
Entre os parlamentares que mais utilizaram a cota, Markim Goyá (PRD) aparece com R$ 184,3 mil no período de janeiro a dezembro. As despesas incluem consultoria jurídica, divulgação de mandato, manutenção de escritório, combustível, consultoria contábil e alimentação. Segundo ele, o aumento no atendimento ao público exigiu ampliação de contratos jurídicos, que totalizaram R$ 74,4 mil no ano, além de reformas no escritório político.
Conforme dados do jornal O Popular de maio a dezembro, Markim firmou contrato mensal de R$ 7,5 mil com o Escritório Phyllipe Lisboa Sociedade Individual de Advocacia. O mesmo escritório prestou serviços a pelo menos outros oito vereadores e suplentes em 2025, com valores distintos. Contrataram a banca Cabo Senna (PRD), por R$ 7 mil mensais de janeiro a dezembro; o presidente da Casa, Romário Policarpo (PRD), com pagamentos de R$ 5 mil de maio a outubro e R$ 3,5 mil em novembro e dezembro; William do Armazém (PRTB), com valores entre R$ 6,7 mil e R$ 8.138,55; Léia Klébia (Podemos), por R$ 7,5 mil de abril a dezembro; Tião Peixoto (PSDB), com valores entre R$ 4 mil e R$ 8.138,55; Henrique Alves (MDB), de outubro a dezembro; além dos suplentes Michel Magul e Rodrigo Rizzo, ambos do PSDB, com contratos pontuais de R$ 7,5 mil entre setembro e outubro.
Em nota, Markim declarou: “Reforço que todas as despesas são devidamente comprovadas por documentação fiscal válida e submetidas ao processo formal de prestação de contas, estando sujeitas à fiscalização dos órgãos competentes. Não há qualquer apontamento de irregularidade na aplicação desses recursos”.
Na sequência entre os maiores gastos estão Sargento Novandir (MDB), com R$ 184,1 mil, e William do Armazém, com R$ 183,5 mil. No caso de Novandir, a maior despesa foi com consultoria jurídica, que somou R$ 93,5 mil. Ele também destinou R$ 48,5 mil à divulgação do mandato, com produção de banners, outdoors, adesivos e serviços de marketing digital. Questionado, afirmou que os gastos refletem “uma decisão do mandato”.
William do Armazém concentrou R$ 86,2 mil em consultoria jurídica e R$ 76,4 mil na divulgação das atividades parlamentares.