20/02/26
O prefeito Sandro Mabel (UB) protocolou ação penal no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) contra o deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) em razão de declarações feitas pelo parlamentar durante a sessão solene de retomada dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), realizada na última quarta-feira (18). Além da medida judicial, o chefe do Executivo municipal também apresentou representação contra o deputado no Conselho de Ética da Casa.
Durante a sessão, Clécio Alves dirigiu críticas à mesa de autoridades e chamou o prefeito de “bandido, malandro, vagabundo e operador de propina”, além de acusá-lo de “matar o povo na saúde e fazer superfaturamento”. A ação, assinada pelo escritório Crosara e França Advogados, pede a condenação do parlamentar pelos crimes de calúnia, difamação e injúria, com eventual indenização revertida a uma entidade beneficente de Goiânia.
Na petição, a defesa de Sandro Mabel argumenta que as declarações ultrapassaram os limites da imunidade parlamentar e configuraram abuso do mandato, ao atingir a honra pessoal do prefeito. Conforme consulta ao processo, foram anexados três reportagens jornalísticas e um vídeo que registra o momento do confronto verbal, com o objetivo de demonstrar a repercussão pública do episódio.
Em entrevista ao jornal O Popular, Clécio Alves afirmou que não se intimida com a ação e disse que continuará criticando o prefeito. Segundo o deputado, as falas foram uma resposta a declarações feitas anteriormente por Mabel em entrevistas e manifestações públicas.
O novo embate amplia a sequência de confrontos entre os dois desde o início da atual gestão municipal. Em janeiro deste ano, a Justiça de Goiás rejeitou uma queixa-crime apresentada por Clécio contra o prefeito, relacionada a declarações em que Mabel afirmou ter cortado “tetas gordas” e um “dinheiro grande” supostamente retirado pelo parlamentar da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
Na decisão, o juiz Luís Henrique Lins Galvão de Lima entendeu que as falas estavam inseridas em um contexto de disputa político-institucional e caracterizavam críticas de natureza política. Desde o início do mandato, o deputado mantém críticas recorrentes à gestão municipal, especialmente sobre a Comurg e a área da saúde, enquanto o prefeito atribui os ataques à perda de influência política do parlamentar.