21/02/26
A visita do senador Wilder Morais ao ex-presidente Jair Bolsonaro, no sábado (14/2), na Papudinha, no Distrito Federal, intensificou a divisão interna no PL de Goiás. O encontro, com duração aproximada de 40 minutos, ocorreu em meio à disputa entre duas alas do partido sobre a estratégia para a eleição ao Palácio das Esmeraldas.
Wilder defende candidatura própria ao governo estadual. Já o deputado federal Gustavo Gayer sustenta a formação de aliança com o grupo do governador Ronaldo Caiado, em um cenário no qual ocuparia a segunda vaga ao Senado na chapa encabeçada pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB). A primeira vaga seria da primeira-dama Gracinha Caiado (UB). Aliados de Gayer avaliam que, nesse formato, as chances eleitorais do deputado seriam maiores.
Após a reunião com Bolsonaro, Wilder afirmou ter recebido aval para lançar candidatura própria. Nas redes sociais, disse ter tido “conversa muito franca” com o ex-presidente e declarou que seguirá como pré-candidato. Segundo ele, o projeto busca construir “espaço próprio” para apoiar Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, além de eleger senadores e deputados “que sempre seguiram essa mesma linha, com coerência, e que continuem defendendo aquilo em que acreditamos”.
A publicação provocou reação de Gayer. Sem citar o senador, escreveu: “Nada pior do que mentir sobre ter apoio de uma pessoa que está presa e não pode falar a verdade”. O deputado também mencionou risco de prejuízo para a eleição de Flávio e para a formação de maioria no Senado.
Pessoas próximas a Gayer relataram que ele conversou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que teria visitado o ex-presidente após o encontro com Wilder. Segundo essa versão, Bolsonaro não romperia compromisso com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, responsável pelas definições sobre candidaturas ao governo em 2026, mas teria sinalizado que a candidatura própria em Goiás contraria a estratégia de aproximação com Caiado para fortalecer os projetos ao Senado e à Presidência.
Nesse contexto, a aproximação de Wilder com Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende e filiada ao MDB até recentemente, enfraquece a crítica feita por aliados do senador de que eventual aliança com Daniel Vilela representaria incoerência por causa de históricos entendimentos do MDB com o PT. A movimentação amplia o racha na legenda e mantém indefinido o caminho do partido na disputa estadual.