21/03/26
A aplicação de R$ 40 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Aparecida de Goiânia (AparecidaPrev) em letras financeiras do Banco Master, realizada em 2024, passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal. O aporte ocorreu durante a gestão do então prefeito Vilmar Mariano (União Brasil), que ainda não apresentou explicação pública para a operação.
De acordo com as apurações, o investimento foi realizado sem autorização do Conselho Municipal de Previdência e com uso de informações consideradas inconsistentes. Documentos e extratos bancários indicam que a prefeitura tentou aplicar valores ainda maiores. A estimativa inicial incluía, além dos R$ 40 milhões efetivados, ao menos mais R$ 10 milhões, com registros de tratativas que alcançariam até R$ 30 milhões adicionais.
As investigações apontam que dois nomes aparecem diretamente ligados ao caso: o ex-prefeito Vilmar Mariano e o ex-secretário da Fazenda Einstein Paniago, que também presidiu o AparecidaPrev até 2023. Segundo o Ministério da Previdência Social, o instituto declarou o investimento no dia 6 de junho de 2024, período em que Mariano ainda comandava o Executivo municipal.
Atas de reuniões indicam que a operação ocorreu sem anuência do conselho, que havia se posicionado contra a aplicação devido à classificação de risco do banco. Ainda assim, os recursos foram direcionados ao Banco Master. A suspeita é de que o então secretário Einstein Paniago tenha atuado para viabilizar o investimento, após aproximação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo relatos obtidos pela investigação, Paniago teria tratado diretamente da operação e buscado contornar exigências formais para concretizar a aplicação. Há indicação de que a decisão contou com alinhamento com o então prefeito.
O repasse foi realizado cerca de seis meses antes do fim do mandato de Vilmar Mariano e poucos dias após o nome dele ser vetado pelo partido para disputar a reeleição.