21/03/26
O mercado imobiliário de Aparecida de Goiânia apresenta aumento na demanda e redução na oferta de imóveis, sobretudo em condomínios horizontais. Segundo Eduardo Oliveira, sócio e diretor da CINQ Inteligência Urbana, todos os empreendimentos desse tipo lançados nos últimos dez anos foram comercializados. “Hoje, praticamente o estoque de condomínios horizontais em Aparecida é zero. A população quer esse produto e não tem ele disponível no mercado”, afirmou.
Ao jornal Opção, o especialista disse que a expansão econômica do município sustenta o movimento. “A cidade sai em 2008 de em torno de 5 mil CNPJs ativos para hoje em torno de 100 mil. É o segundo PIB do Centro-Oeste tirando as capitais. Uma cidade que amadureceu muito sua zona industrial e logística, trazendo renda e busca por moradias de qualidade”, disse.
Ele aponta que a presença de instituições de ensino superior também contribui para atrair moradores. Imóveis localizados em regiões com infraestrutura consolidada tendem a apresentar maior valorização. “O ativo hoje de você ter um condomínio fechado ou apartamento em áreas mais centrais, onde já existe infraestrutura consolidada, comércio e serviços, traz uma valorização acentuada em relação a projetos mais distantes. Há ganho de tempo e custo de deslocamento”, explicou.
Segundo Oliveira, o aumento da renda local influenciou diretamente o perfil da oferta imobiliária. “O crescimento econômico reflete numa melhoria do comércio, das atividades econômicas e da infraestrutura. O mercado imobiliário passou a ofertar projetos para uma população que cresceu em renda e busca qualidade de vida. Os primeiros foram os condomínios horizontais, mas agora começa o movimento de verticalização”, afirmou.
O público interessado inclui famílias jovens e moradores vindos de Goiânia. “Praticamente 50 a 60% do público veio de Goiânia. Famílias com crianças, jovens buscando seu primeiro investimento em loteamentos fechados. Investidores também enxergam grande potencial, já que Aparecida tem 600 mil habitantes e é a 37ª cidade do Brasil em população”, disse.
Mesmo com novos projetos, o especialista não identifica risco de saturação. “Todos os projetos foram vendidos. Existe carência de loteamentos fechados e de apartamentos residenciais. Projetos como o Cidade do Amanhã vão trazer loteamentos, residências verticais, salas comerciais e hotel, junto com comércio e serviços”, afirmou.
A cidade também passa por mudanças estruturais. “Hoje você tem praticamente 100 mil CNPJs ativos e é a cidade mais madura em indústrias e logística do estado. É o segundo PIB do Centro-Oeste. Há uma demanda forte de pessoas morarem em Aparecida, inclusive migrações de Goiânia e de outros estados”, disse.
A revisão do Plano Diretor, prevista para 2026 e 2027, deve influenciar o crescimento urbano. “O que ele vem fazer é ajustar dentro desse amadurecimento e preparar o município para a verticalização. A atualização vai tornar Aparecida tão competitiva quanto Goiânia. A cidade carece desse projeto, já que a verticalização ainda está concentrada na borda de Goiânia, na avenida Rio Verde, e não chegou a entrar em Aparecida”, afirmou.
Ele também destacou investimentos em mobilidade e áreas públicas. “Aparecida fez uma infraestrutura viária conectando Goiânia com Aparecida. Hoje você tem eixos Norte-Sul e Leste-Oeste que fazem realmente essa mobilidade urbana, integração do transporte público e áreas verdes. A cidade vem consolidando a construção de parques, como o Parque da Família, o Parque da Criança e um novo parque na região central”, disse.
Sobre rentabilidade, o especialista aponta valorização recente. “O loteamento fechado é um ativo imobiliário resiliente. Não é uma commodity. Você precisa de áreas com atratividade ambiental e localização. Fazer isso dentro de um centro urbano é agregar qualidade de vida e tempo. Hoje não falamos mais em metro quadrado, mas em tempo ao quadrado”, afirmou.
Na comparação com Goiânia, Oliveira vê maior espaço para crescimento. “Aparecida está no início do seu ciclo de desenvolvimento imobiliário. Goiânia já cresceu muito e hoje a região metropolitana é o terceiro mercado do país em volume de vendas. Quem chega agora em Aparecida vai experimentar a valorização que Goiânia teve há cinco, seis anos. Quem chega agora vai beber água limpa”, disse.
O mercado também apresenta expansão em diferentes segmentos. “Foram 11 loteamentos fechados lançados nos últimos 10 anos, todos consumidos. Hoje você vê casas térreas de R$ 1,5 milhão e sobrados de até R$ 2,5 milhões. É um amadurecimento do mercado. Já há procura por apartamentos compactos de dois e três quartos e até de quatro quartos”, afirmou.
Entre as tendências, ele cita novos empreendimentos comerciais e de serviços. “Aparecida demanda áreas de gastronomia, cultura e entretenimento. É o maior polo industrial e logístico do estado, mas não tem setor hoteleiro. Uma cidade de 600 mil habitantes sem hotel. Isso é uma grande oportunidade”, disse.
Também há espaço para habitação de menor valor. “Aparecida tem olhar para o Minha Casa, Minha Vida. Hoje o programa financia imóveis de até R$ 500 mil, com expectativa de aumento para R$ 600 ou R$ 650 mil. Isso abre leque para apartamentos compactos de um e dois quartos. Então teremos diversidade: desde projetos econômicos até alto padrão de três ou quatro suítes”, concluiu.