29/03/26
Análise publicada pelo Jornal Opção registra que um integrante do PL em Goiás defende a retirada da pré-candidatura de Wilder Morais ao governo e a construção de uma aliança com Daniel Vilela (MDB). A avaliação é feita pelo secretário de Cultura de Goiânia, Ugton Batista, que se apresenta como bolsonarista.
Segundo ele, o cenário atual tem apenas dois nomes em disputa direta. “Os eleitores sabem que, no momento, há só dois postulantes discutindo sucessão governamental em Goiás — Daniel Vilela, pré-candidato a governador pelo MDB, e Marconi Perillo, pré-candidato a governador pelo PSDB. Wilder Morais se comporta como se estivesse esperando um milagre cair do Céu. Pode-se sugerir que é mais ‘pré’ do que ‘candidato”, afirma.
Ugton relata que conversou com Wilder durante evento ligado ao MotoGP e disse que faz críticas políticas, não pessoais. O senador teria respondido: “Pelo menos você é corajoso, pois não fala pelas costas, então eu te respeito”.
Na análise, o secretário sustenta que Wilder não construiu base política. “Nada tenho contra Wilder Morais, pois é um empresário honesto. Mas, como político, deixa a desejar. Porque não articula nem agrega. Ninguém pode fazer política em Goiás a partir de Angra dos Reis ou de Brasília. É preciso conversar localmente com os companheiros e respeitá-los”, afirma.
Ele também questiona a condução da pré-campanha. “Wilder, com a ‘filha de’ [como sugere o Jornal Opção] na vice, não está fazendo pré-campanha. Candidato majoritário não pode ficar fazendo reuniões em casa, tomando vinho e uísque ‘puro sangue’. Precisa sair às ruas, conquistar as lideranças e os eleitores.”
Ugton afirma que o senador pode desistir da disputa. “Então, aposto que Wilder renunciará à candidatura entre maio e junho. Quando se cansar da brincadeira — que é só sua, e não do PL —, poderá sair do páreo, abrindo espaço para uma composição com Daniel Vilela, que, no fundo, é o que todos querem — inclusive os aliados do senador.”
Na avaliação dele, a composição fortaleceria o partido. “Para provar que defende o PL, e não seus próprios interesses, Wilder Morais deveria fechar um acordo e, desde já, ser o vice de Daniel Vilela. Porque, além de fortalecer as candidaturas proporcionais do PL e a de Gustavo Gayer para senador, ele, sendo vice, poderia, se Daniel Vilela for eleito, disputar o governo em 2030 — e já como governador.”
O secretário afirma que parte do bolsonarismo já apoia o emedebista. “Se Wilder Morais — quer dizer, o PL bolsonarista — compor com Daniel Vilela, já no primeiro turno, é muito provável que nem Marconi Perillo dispute o governo. O principal adversário do candidato emedebista seria o postulante do PT.”
Ele também cita nomes que, segundo ele, já estariam alinhados. “Acrescento que, de cada grupo de 10 políticos bolsonaristas, oito já estão com Daniel Vilela. Major Vitor Hugo, Carlinhos do Mangão, Gustavo Gayer e Márcio Corrêa já estão com Daniel Vilela.”
Por fim, Ugton afirma que a manutenção da candidatura pode ter impacto no Senado. “A cúpula nacional do PL — leia-se Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira — jamais vai perdoar Wilder Morais se Gustavo Gayer for derrotado para o Senado”, disserta. “Os Bolsonaros vão tratá-lo como inimigo.”