09/04/26
O ex-governador e pré-candidato ao governo Marconi Perillo (PSDB) recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, entre 2022 e 2025. A informação consta em documentos da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado e divulgados pela Folha de S. Paulo na quarta-feira (8/4).
Segundo a apuração, os repasses estariam relacionados a serviços de consultoria prestados pela empresa MV Projetos e Consultorias, de propriedade de Marconi, ao Banco Master. A instituição é alvo de investigação por movimentações financeiras consideradas atípicas. O ex-governador presidiu o PSDB entre novembro de 2023 e novembro de 2025, período que coincide com parte dos pagamentos recebidos por sua empresa.
Os dados analisados pela CPI também apontam que outros nomes do cenário político nacional aparecem entre beneficiários de valores vinculados ao Banco Master, como Michel Temer (MDB), Guido Mantega, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. As transferências teriam sido feitas a escritórios de advocacia e empresas ligadas aos citados. A investigação busca esclarecer se os pagamentos tinham natureza exclusivamente profissional ou se houve irregularidades nas contratações.
Em nota, Marconi afirmou que prestou serviços a uma empresa “considerada idônea à época da contratação”, sem vínculo pessoal com seus dirigentes ou participação na gestão. Informou ainda que a prestação de serviços foi encerrada em julho de 2025 e que está há mais de oito anos afastado de funções públicas, atuando, segundo ele, exclusivamente na iniciativa privada, de forma lícita e transparente.
O caso do Banco Master ganhou repercussão após investigações apontarem um volume elevado de operações financeiras classificadas como atípicas por órgãos de controle. As apurações indicam a suspeita de uso de contratos de consultoria e serviços jurídicos para justificar transferências milionárias a empresas e escritórios ligados a agentes públicos e figuras influentes.
Diante das irregularidades identificadas, o Banco Central do Brasil determinou a intervenção e posterior encerramento das atividades da instituição financeira. A CPI do Crime Organizado analisa se essas operações tinham lastro real ou se foram utilizadas para ocultar a origem ou a finalidade dos recursos, ampliando o alcance das investigações no sistema financeiro e no meio político.