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Anvisa alerta que retatrutida ainda não tem aprovação para uso em nenhum país

26/07/26

A retatrutida, medicamento que tem despertado interesse por seu potencial no tratamento da obesidade e do diabetes, ainda não foi aprovada para uso em nenhum país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que o produto permanece em fase de pesquisa clínica e que o laboratório responsável ainda não solicitou o registro do medicamento no Brasil nem em outras agências reguladoras internacionais.

Apesar disso, a substância já é anunciada em sites irregulares e tem sido apreendida em operações de fiscalização nas fronteiras brasileiras. Segundo a Anvisa, a comercialização e o consumo de produtos sem registro representam riscos à saúde, uma vez que não há comprovação científica sobre segurança, eficácia e qualidade.

Antes de receber autorização para chegar ao mercado, um medicamento passa por um processo que inclui estudos pré-clínicos e clínicos. Nessa etapa, pesquisadores avaliam a eficácia da substância, definem a dose adequada, identificam possíveis efeitos adversos, analisam interações com outros medicamentos e estabelecem orientações para o uso seguro.

Sem a conclusão dessas etapas, não existe garantia sobre a composição do produto nem sobre seus efeitos no organismo. Também não há informações confiáveis sobre armazenamento, validade após a abertura da embalagem ou condições adequadas de utilização. Para a Anvisa, a ausência dessas informações expõe o consumidor a riscos que ainda não podem ser mensurados.

Entre os principais perigos apontados pela agência estão a ocorrência de efeitos adversos ainda desconhecidos, a falta de comprovação da eficácia do medicamento, dúvidas sobre a dose segura e possíveis falhas nos processos de fabricação. Produtos comercializados fora do sistema regulatório também podem apresentar contaminações, impurezas, diferenças entre lotes e problemas de conservação.

Outro ponto de preocupação é que não há garantia de que os produtos vendidos irregularmente contenham, de fato, a substância anunciada ou que ela esteja presente na quantidade informada. Erros na formulação, adulterações ou até a ausência do princípio ativo podem fazer com que o consumidor utilize um produto diferente daquele que acredita ter adquirido.

A Anvisa orienta que medicamentos sem registro sanitário não sejam utilizados em nenhuma hipótese. Além dos riscos à saúde, a comercialização desses produtos é considerada crime, conforme previsto no Código Penal. A recomendação é que pacientes utilizem apenas medicamentos autorizados pelos órgãos reguladores e adquiridos em estabelecimentos legalizados.

A agência também destaca que o registro sanitário vai além de uma autorização administrativa. O processo envolve fiscalização das unidades de fabricação, controle das matérias-primas, validação dos processos produtivos, rastreabilidade dos lotes, monitoramento de eventos adversos e verificação do cumprimento das boas práticas de fabricação e armazenamento.

Segundo a Anvisa, um produto sem registro permanece fora de todo esse sistema de controle. Isso significa que não há garantias sobre a composição, a qualidade, a regularidade entre os lotes nem sobre o acompanhamento dos riscos associados ao seu uso. Dessa forma, a ausência de registro representa a falta de um conjunto de mecanismos destinados à proteção da saúde da população.


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