26/07/26
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha oficializou neste sábado (25) sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais durante a convenção estadual do Republicanos. Cassado em 2016, o ex-parlamentar busca retornar ao Congresso Nacional após quase uma década fora de mandatos eletivos e escolheu disputar a eleição por um estado onde nunca ocupou cargo político. Ao anunciar a candidatura, Cunha afirmou que a decisão foi motivada pela relevância de Minas Gerais no cenário político nacional.
Em publicação nas redes sociais, o ex-deputado destacou o peso eleitoral do estado nas disputas presidenciais e disse que percorrer o território mineiro representa um retrato da diversidade do país. “Eu acho que Minas Gerais é o estado mais importante do Brasil. É o estado que define as eleições presidenciais. É um estado que é quase que um país. É de uma complexidade enorme, com diferenças enormes de regiões. E por isso mesmo que ele representa a mediana do Brasil. Fazer por Minas Gerais uma caminhada, eu acho que é quase como fazer uma caminhada pelo Brasil.”
Em entrevista ao Estado de Minas, Cunha afirmou estar confiante quanto à receptividade encontrada durante a pré-campanha. Segundo ele, a resposta da população tem sido positiva, embora tenha ressaltado que o resultado da eleição dependerá da decisão dos eleitores nas urnas. “É uma expectativa muito positiva, né? A gente tem andado, a gente tem sido bem acolhido, os mineiros me acolheram muito bem e eu agradeço por isso. E a minha expectativa é positiva. Mas o resultado somente a urna vai dizer.”
A candidatura ocorre enquanto o ex-presidente da Câmara é alvo de investigação conduzida pela Polícia Federal sobre um suposto direcionamento de emendas parlamentares para municípios mineiros, mesmo sem exercer mandato eletivo. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão recente, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões atribuídos a Eduardo Cunha e suspendeu a execução das emendas que fazem parte da apuração.
Segundo o magistrado, existem indícios de que o ex-deputado teria participado da definição da destinação de recursos públicos por meio de um "arranjo decisório paralelo", apesar de estar fora da Câmara dos Deputados desde 2016. A decisão também estabelece que a Câmara dos Deputados apresente a documentação relacionada às emendas sob investigação. A defesa de Eduardo Cunha nega qualquer irregularidade e sustenta que o ex-parlamentar não praticou atos ilícitos relacionados ao caso.