30/07/26
A vereadora por Goiânia Aava Santiago (PSB), que teve o mandato cassado na última segunda-feira (27) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), voltou a criticar o grupo político do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e direcionou ataques ao primeiro suplente da chapa tucana, Michel Magul, apontado por ela como interessado no processo que resultou na decisão da Justiça Eleitoral. Em entrevista à Rádio CBN nesta semana, a parlamentar afirmou que o tucano "é um jovem que representa velhos interesses" e sustentou que a idade não impede a reprodução de práticas que, segundo ela, caracterizam a velha política.
A declaração foi feita após Aava comentar que Marconi Perillo lidera um grupo formado por "homens ressentidos, homens da velha política, homens amplamente conhecidos pelos goianenses, porque as mulheres, na prática, o partido exclui de perto de si". Em seguida, ao ser questionada sobre o fato de o responsável direto pelo interesse na ação ser Michel Magul, um político da nova geração, a vereadora respondeu que ele também se enquadra no perfil que havia descrito e afirmou que sua atuação política segue a mesma lógica que ela atribui ao grupo tucano.
Ao justificar a afirmação, Aava disse que Michel Magul não representa uma renovação na política goiana. "Ele segue o padrão da velha política por dois motivos. Primeiro porque o Michel Magul entrou no processo como terceiro interessado, quem entrou foi o PSDB, que em Goiás é presidido pelo deputado estadual Gustavo Sebba, que só é presidente da sigla porque é filho de Jardel Sebba, uma das figuras mais antigas e antiquadas da política", afirmou. Em seguida, acrescentou que gostaria de acreditar que o suplente representasse uma nova geração, mas disse não enxergar esse perfil em sua trajetória.
Na entrevista, a vereadora também relembrou a passagem de Michel Magul por outros grupos políticos. Segundo ela, o atual suplente do PSDB integrou o governo de Marconi Perillo, deixou o partido em um momento de desgaste do ex-governador e se filiou ao MDB, onde recebeu apoio da juventude da legenda na eleição municipal de 2020. "Infelizmente, na trajetória de Michel Magul o que consta são contradições até mesmo por ocupar espaços de relevância ao longo do governo de Marconi Perillo, mas quando o ex-governador estava enfrentando os piores dos seus fantasmas, ali nas vésperas de 2020, o Magul abandonou Marconi e se juntou ao MDB. Inclusive, ele teve uma expressiva votação em 2020, tendo o apoio da Juventude do MDB. Ainda assim, não foi suficiente para ser eleito", declarou.
Aava também citou a permanência de Michel Magul na administração do ex-prefeito Rogério Cruz, mesmo após o rompimento do MDB com a gestão municipal. Segundo ela, esse episódio reforça as críticas feitas ao comportamento político do suplente. "Michel Magul volta para o PSDB, mas nesse intervalo, vale ressaltar, que os quadros históricos do MDB deixaram o governo do ex-prefeito Rogério Cruz, naquele momento em que o MDB rompe com Cruz. E um dos pouquíssimos quadros do MDB não rompeu com Rogério Cruz foi Michel Magul. Ele continuou na Prefeitura de Goiânia e, inclusive, ele foi premiado e chegou a se tornar secretário de Governo. Eu não sei se isso é treino ou fardo a essa altura do campeonato", afirmou.
Ao concluir a entrevista, a vereadora reafirmou que, em sua avaliação, Michel Magul não simboliza renovação política, apesar da idade. "Mas eu quero te dizer que, mesmo que definitivamente, pelo histórico deste nome em específico, que é o terceiro interessado na ação, não se trata de renovação, mas de, se eu pudesse citar aqui Belchior, mas de uma velha roupa colorida. É um quadro aparentemente jovem que serve a velhos interesses", declarou, ao explicar que utilizava a expressão "velha política" para se referir a práticas de governança que, em sua avaliação, já não correspondem às demandas da sociedade atual.