01/08/26
A jornalista Cileide Alves avaliou que a disputa pelo Governo de Goiás em 2026 apresenta, neste momento, um cenário de continuidade administrativa. Em artigo publicado no jornal O Popular, sob o título "Diagnóstico de continuidade", ela afirma que os números da mais recente pesquisa Genial/Quaest vão além das intenções de voto e ajudam a explicar os fatores que sustentam a liderança do governador Daniel Vilela (MDB).
Segundo a análise, embora Daniel apareça com 37% das intenções de voto, contra 21% do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), 11% do senador Wilder Morais (PL) e 3% de Luis Cesar Bueno (PT), o principal aspecto revelado pelo levantamento está no comportamento do eleitorado. Para Cileide, a pesquisa mostra que o atual governador mantém desempenho estável entre homens e mulheres, diferentes faixas de renda, níveis de escolaridade, grupos religiosos e também entre os eleitores mais jovens.
A jornalista destaca ainda o conceito de "amplitude política", apresentado pelo diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes. Conforme o artigo, Daniel Vilela lidera entre eleitores independentes, entre segmentos da direita bolsonarista e não bolsonarista e também registra desempenho entre lulistas e eleitores da esquerda não alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Felipe Nunes, citado por Cileide, esse desempenho está diretamente ligado à popularidade do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). "O traço central da eleição em Goiás é a popularidade de Caiado (87%), que é quem reorganiza a direita estadual em torno de Daniel, reduzindo o espaço dos adversários no mesmo campo", afirmou Felipe Nunes, conforme reproduzido pela jornalista.
Na avaliação de Cileide Alves, outro dado relevante é que 71% dos entrevistados afirmam que Caiado merece eleger seu sucessor. Além disso, 41% dos eleitores defendem que o próximo governador faça mudanças apenas no que não funciona, enquanto 36% preferem a continuidade da atual gestão. Apenas 18% disseram desejar uma mudança completa no comando do Estado.
Para a jornalista, esse conjunto de indicadores reforça a percepção de que a eleição goiana tende a ser disputada sob a lógica da continuidade, favorecendo o candidato apoiado pelo atual grupo político. Ainda assim, ela observa que o cenário permanece aberto porque 56% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de voto, percentual superior aos 41% que dizem já ter uma decisão definitiva.
No artigo, Cileide também aponta os desafios enfrentados pelos principais adversários de Daniel Vilela. Segundo ela, Marconi Perillo precisará reduzir a rejeição de 46%, a maior entre os candidatos ao governo, enquanto Wilder Morais enfrenta o alto índice de desconhecimento entre o eleitorado, já que 62% afirmam não conhecê-lo. Na avaliação da jornalista, a estratégia do senador de manter baixa exposição antes da campanha oficial cobra um preço neste momento da disputa.
Ao analisar a corrida pelo Senado, Cileide Alves afirma que o cenário é mais indefinido. Embora Gracinha Caiado (PSD) apareça na liderança com 20% das intenções de voto, os indecisos somam 31%, percentual superior ao da ex-primeira-dama. A jornalista conclui que, diferentemente da disputa pelo governo, a eleição para o Senado permanece aberta e sem favoritos consolidados.