02/08/26
O Podemos decidiu adiar a definição sobre sua posição na eleição presidencial de 2026 e transferiu à executiva nacional a responsabilidade de deliberar sobre possíveis alianças até a próxima quarta-feira (5), prazo final para a realização das convenções partidárias. A medida mantém em aberto a possibilidade de apoio a uma candidatura, do lançamento de um nome próprio ou da adoção de uma postura de neutralidade, cenário considerado o mais provável por integrantes da legenda.
A decisão foi tomada durante a convenção nacional realizada na última quinta-feira (30). Com isso, a presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu, e a executiva passam a conduzir as negociações políticas nos dias que antecedem o encerramento do calendário das convenções. O Podemos tem sido alvo de articulações da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que busca ampliar sua base de apoio entre partidos do Centrão. Internamente, dirigentes da legenda foram consultados sobre uma eventual coligação com o PL.
Entre os defensores da aproximação está o vice-presidente nacional da sigla, pastor Everaldo. As conversas entre PL e Podemos ocorrem desde o início do ano, conduzidas principalmente pelo presidente nacional liberal, Valdemar Costa Neto. Na eleição presidencial de 2022, o Podemos integrou a coligação que apoiou a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB). A indefinição também afeta a estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro. Sem conseguir consolidar alianças partidárias, o candidato ainda não anunciou o nome que disputará a vice-presidência em sua chapa.
A expectativa inicial era apresentar a composição durante a convenção do PL, realizada no último dia 25 de julho, mas as negociações não avançaram. Durante a convenção, o PL autorizou sua executiva nacional a decidir posteriormente sobre coligações, indicação do candidato a vice-presidente e outros temas relacionados ao processo eleitoral. A medida permite que o partido mantenha as negociações abertas nos próximos dias. O nome apontado como preferência de Flávio Bolsonaro para a vice é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos.
A legenda, no entanto, também avalia permanecer neutra na disputa presidencial e marcou sua convenção nacional para a próxima terça-feira (4). Outra tentativa do PL envolveu a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a aceitar o convite para integrar a chapa, mas a direção nacional do PP manteve a decisão de não declarar apoio a candidatos à Presidência.
A estratégia adotada por PL e Podemos se apoia na legislação eleitoral, que permite às convenções delegarem às executivas nacionais a decisão sobre coligações e indicações de candidaturas. Dessa forma, embora o prazo para as convenções termine em 5 de agosto, a composição definitiva da chapa presidencial poderá ser concluída até 15 de agosto, data-limite para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Caso nenhuma negociação avance, a escolha do candidato a vice ficará sob responsabilidade do próprio PL.