12/08/26
Depois de governar Goiás por quatro mandatos, Marconi Perillo (PSDB) tenta voltar ao Palácio das Esmeraldas em 2026. A nova candidatura ocorre após duas derrotas consecutivas em eleições para o Senado, em 2018 e 2022, e recoloca no debate uma trajetória política marcada também por investigações e operações policiais que atingiram o tucano, integrantes de seus governos e aliados. Perillo sempre negou envolvimento em irregularidades, e parte das apurações abertas ao longo dos anos foi arquivada ou teve desdobramentos distintos.
Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em 2012, com a Operação Monte Carlo e a CPI do Cachoeira. Marconi foi chamado a depor no Congresso sobre sua relação com o contraventor Carlinhos Cachoeira e negou qualquer influência dele sobre o governo. Anos depois, o tucano foi denunciado por corrupção passiva em investigação relacionada à construtora Delta, sob suspeita de vantagens indevidas em troca da ampliação de contratos com o poder público. Marconi negou as acusações.
Outra investigação de grande impacto foi a Operação Decantação, deflagrada pela Polícia Federal em 2016 para apurar suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos na Saneago. Segundo o Ministério Público Federal, a investigação alcançou recursos provenientes do PAC e de financiamentos do BNDES e da Caixa e apontou suspeitas de utilização de dinheiro desviado para propinas e despesas de campanhas políticas. Uma segunda fase, realizada em 2019, investigou fatos ocorridos entre 2012 e 2016, período em que Marconi governava Goiás.
Em 2018, Marconi passou a ser diretamente investigado na Operação Cash Delivery, aberta a partir de delações de executivos da Odebrecht. A apuração investigava suspeitas de pagamentos de R$ 12 milhões relacionados às campanhas de 2010 e 2014. Dias depois de perder a eleição para o Senado, o ex-governador chegou a ser preso preventivamente enquanto prestava depoimento à Polícia Federal, mas teve a prisão posteriormente revogada. Procedimentos relacionados às investigações tiveram diferentes desfechos, incluindo arquivamentos, e a defesa do tucano sempre negou a prática de crimes.
As investigações sobre fatos ocorridos durante suas administrações continuaram mesmo após sua saída do governo. Em 2025, Marconi foi alvo de busca e apreensão na Operação Panaceia, da Polícia Federal, que apura suspeitas de desvios de recursos da Saúde entre 2012 e 2018. Agora, em 2026, o tucano também foi chamado a prestar esclarecimentos à CPI do Jockey Club de São Paulo, que investiga questões financeiras e patrimoniais da instituição e suspeitas envolvendo recursos públicos destinados à restauração de sua sede. Marconi nega irregularidades nos dois casos.
É com esse histórico que Marconi tenta conquistar o Governo de Goiás pela quinta vez. Depois de vencer as eleições estaduais de 1998, 2002, 2010 e 2014, ele deixou o cargo em 2018 para disputar o Senado, mas terminou apenas em quinto lugar. Em 2022, tentou novamente e foi derrotado por Wilder Morais (PL). Quatro anos depois, retorna à disputa pelo Palácio das Esmeraldas carregando, além de quatro mandatos no currículo, o desgaste de duas derrotas majoritárias consecutivas e de investigações que atravessaram diferentes momentos de sua trajetória política.