Goiânia, 13/10/2026
Voz de Goiás
·
Contato: vozgoias@gmail.com
Matérias


Ex-Simve relata que foi baleado em viatura e critica condições de trabalho em Goiás

05/09/26

Um ex-integrante do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve) relatou nas redes sociais que foi baleado durante uma ocorrência policial em Goiás, em 2015, e posteriormente deixou o serviço após a extinção do programa. No vídeo, que ganhou repercussão nas redes, ele também critica as condições oferecidas aos agentes e a política de segurança pública adotada naquele período.

“Em 2015, eu tomei um tiro dentro de uma viatura. Mesmo assim, o governador da época me mandou embora”, afirma no início da gravação. Segundo o relato, o então agente fazia parte de uma equipe que foi alvo de tiros durante uma ocorrência. Ele afirma que os autores dos disparos utilizavam uma pistola 9 milímetros e revela, ao longo do vídeo, ser o policial ferido mencionado em uma reportagem exibida na própria gravação.

“O homem baleado nessa ocorrência fui eu. Eu trabalhava no Simve, ou seja, vestia a farda da polícia. Eu exercia a função de policial militar, andava na viatura da polícia, mas sem ter os direitos que um policial tem”, relata.

O ex-integrante do Simve também questiona a estrutura disponível para o trabalho dos agentes. Segundo ele, integrantes do programa utilizavam revólveres calibre .38, não contavam com as mesmas condições oferecidas ao restante da tropa e enfrentavam criminosos com armamento de maior poder de fogo.

“Milhares de homicídios e a gente sem colete, andando com revólveres de cinco tiros na cintura, enquanto enfrentava bandidos com pistolas e armas automáticas”, afirma. Ele também diz que os agentes do Simve não tinham acesso ao mesmo plano de saúde destinado aos demais policiais.

Ferimento deixou consequências, diz ex-agente
O disparo, conforme o relato, atingiu a região genital e provocou consequências que permaneceram durante meses. O ex-agente afirma que passou cerca de um ano sem conseguir exercer normalmente suas atividades e enfrentou dificuldades para ter acompanhamento médico especializado. “Esse tiro que eu levei foi na região genital e eu fiquei um ano sem poder trabalhar direito, sem acesso a médicos especializados”, conta.

Nesse período, o Simve foi considerado inconstitucional e o programa chegou ao fim. O ex-integrante afirma que acabou desligado enquanto ainda enfrentava as consequências do ferimento sofrido durante a ocorrência. “Eu fui mandado embora com uma lesão que me impossibilitava de trabalhar. Alguém do Estado me ligou para saber se eu estava bem? Eu estava ali para proteger a sociedade. Eu não estava para brincar, não”, declarou.

Ao explicar por que decidiu divulgar o episódio mais de uma década depois, o ex-Simve afirma que pretende usar sua experiência para questionar discursos apresentados na atual campanha eleitoral sobre segurança pública. “Eu não estou fazendo esse vídeo para reclamar. Estou fazendo para vocês não acreditarem na ilusão que tem candidato vendendo por aí”, afirmou.

Vídeo cita gestão de Marconi Perillo
A gravação também recupera uma declaração do ex-governador e atual candidato ao Governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB). No trecho exibido, o tucano menciona uma “varinha de mágica” ao abordar os problemas enfrentados pela segurança pública. 
O ex-integrante do Simve utiliza a fala para criticar a condução da área naquele período e comparar a situação vivenciada por ele em 2015 com o cenário atual da segurança pública em Goiás. “Na segurança pública não existe fórmula mágica. Existe gestão. E a prova está aí: Goiás sendo referência na segurança pública em nível nacional. E é isso que a gente não pode abrir mão”, conclui. 


·

2026. Voz de Goiás. Direitos reservados.