31/10/26
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia poderá elevar as exportações de Goiás em US$ 208 milhões por ano, o equivalente a mais de R$ 1 bilhão, após a conclusão das etapas de redução das tarifas de importação. A estimativa é da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que projeta os efeitos da medida para aproximadamente 2036. O levantamento também aponta a possibilidade de aumento de US$ 190 milhões anuais nas compras de produtos europeus pelo estado.
Em vigor desde 1º de maio de 2026, o acordo estabelece a redução gradual das barreiras comerciais entre os dois blocos econômicos. Segundo a Fieg, a diminuição dos impostos sobre mercadorias poderá ampliar a participação de produtos goianos no mercado europeu, principalmente nos setores da agroindústria. Os resultados, no entanto, dependerão da demanda internacional e da capacidade das empresas de aproveitar as condições previstas no tratado.
De acordo com o analista de Desenvolvimento Industrial da Fieg, Saulo Nogueira, as projeções consideram o período necessário para a retirada das tarifas estabelecidas no acordo. A expectativa é de que as exportações aumentem à medida que os produtos brasileiros passem a enfrentar custos menores para ingressar nos países europeus. “Quando todas as barreiras forem removidas, daqui a dez anos, Goiás vai estar exportando anualmente 208 milhões de dólares a mais todos os anos”, afirmou o analista ao Mais Goiás.
Em 2025, Goiás exportou aproximadamente US$ 1,68 bilhão para a União Europeia, o que correspondeu a 12,5% das vendas estaduais ao exterior. Com a redução dos impostos, a federação avalia que empresas goianas poderão ampliar sua participação nesse mercado, sobretudo porque o bloco europeu iniciou a retirada de parte das tarifas antes do Brasil.
Carnes, açúcar e produtos industriais estão entre os beneficiados
O estudo identifica oportunidades para diferentes segmentos da economia goiana, com destaque para carnes bovina e de frango, açúcar e etanol. A relação também inclui couro, alimentos processados, produtos químicos, gelatinas, máquinas, plásticos, vestuário e calçados. Segundo a Fieg, a redução das tarifas poderá beneficiar tanto empresas que já comercializam mercadorias com a Europa quanto aquelas que pretendem iniciar operações internacionais. A abertura do mercado, entretanto, exigirá atenção às regras sanitárias, técnicas e comerciais adotadas pelos países compradores.
O levantamento apresenta uma estimativa de US$ 87 milhões em exportações adicionais para um conjunto de 40 produtos industriais e agroindustriais. Outros US$ 43 milhões poderão vir de mercadorias industriais não incluídas nessa análise específica, enquanto commodities agrícolas e minerais representam uma projeção de US$ 78 milhões. Somados, os três grupos alcançam os US$ 208 milhões anuais previstos pela federação. O valor representa um potencial de crescimento das vendas ao mercado europeu, e não uma receita já incorporada à balança comercial do estado.
A Fieg também considera que a retirada gradual das barreiras poderá alterar os preços dos produtos e ampliar a procura por mercadorias goianas. Esse cenário, contudo, está sujeito a mudanças no consumo internacional, nas condições de produção e na competitividade das empresas brasileiras.
Importações europeias também devem crescer
Além das oportunidades para exportação, o acordo poderá aumentar a entrada de mercadorias europeias em Goiás. A projeção da Fieg aponta crescimento de US$ 190 milhões por ano nas importações estaduais, principalmente após a redução das tarifas aplicadas pelo Brasil. Entre os produtos com potencial de aumento nas compras estão insumos farmacêuticos, máquinas e equipamentos de transporte. O setor farmacêutico merece atenção por causa da concentração de indústrias no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), que utiliza matérias-primas importadas e também poderá enfrentar maior concorrência de fabricantes europeus.
A federação identifica ainda a possibilidade de ampliação das importações de alimentos, vinhos e queijos. Para as empresas goianas, a mudança poderá representar tanto acesso a insumos e equipamentos quanto necessidade de adaptação diante da entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro. O analista Saulo Nogueira ressalta que as estimativas não são garantias de crescimento. Segundo ele, as projeções dependem de fatores econômicos que podem sofrer alterações ao longo dos próximos anos, como preços, demanda e comportamento dos consumidores.
Empresas terão período de adaptação
A implementação das reduções tarifárias ocorrerá por etapas, com prazos que poderão chegar a oito ou dez anos, conforme o produto. A Fieg avalia que esse intervalo permitirá às indústrias goianas adequar processos de produção, estudar o mercado europeu e estabelecer relações comerciais com compradores estrangeiros. A gerente de Internacionalização da federação, Juliana Tormin, destacou, durante a Expoind 2026, a necessidade de preparação das empresas para atender às exigências comerciais da União Europeia e enfrentar a concorrência de produtos importados.