08/11/26
A permanência do senador Wilder Morais na presidência do PL em Goiás enfrenta questionamentos internos após sua derrota na disputa pelo governo estadual nas eleições de outubro. O resultado das urnas, somado às divergências com lideranças da legenda, intensificou as discussões sobre uma mudança no comando partidário. O senador eleito Gustavo Gayer aparece entre os nomes cotados para assumir a direção estadual.
A situação foi abordada pelo jornalista Ton Paulo, em artigo publicado neste sábado (7/11), na coluna Conexão, do Jornal Opção. Segundo o colunista, a avaliação de integrantes do PL é de que Wilder perdeu força política após insistir na candidatura ao Palácio das Esmeraldas, apesar da resistência de parte dos correligionários. Embora Wilder tenha recebido menos de 800 mil votos na disputa pelo governo, o PL conseguiu eleger cinco deputados estaduais, quatro federais e um senador.
O desempenho da legenda no Legislativo, no entanto, não eliminou os conflitos internos. Parte dos parlamentares eleitos atribui os resultados às próprias articulações eleitorais, sem participação decisiva do presidente estadual. Um dos principais pontos de divergência ocorreu antes da campanha, quando Wilder defendeu candidatura própria ao governo e inviabilizou uma aliança entre o PL e o grupo do governador Daniel Vilela (MDB). A composição era apoiada por lideranças como Gustavo Gayer, que defendiam a aproximação com a base governista.
A decisão provocou desgaste entre o senador e integrantes do partido, incluindo a deputada federal Magda Mofatto. Após as eleições, o cenário de insatisfação passou a envolver também a condução das discussões sobre o futuro da legenda. Eleito deputado federal, o vereador Major Vitor Hugo também se manifestou sobre a necessidade de discutir o comando do PL. Em entrevista recente a uma rádio de Goiânia, ele defendeu que Wilder convoque os correligionários para avaliar os resultados eleitorais e tratar da sucessão partidária.
Segundo Vitor Hugo, até aquele momento não havia ocorrido uma reunião entre as principais lideranças para discutir os rumos da sigla após as eleições. A ausência de diálogo é apontada como um dos fatores que ampliaram o desgaste do presidente estadual. Atualmente, o PL em Goiás é administrado por uma comissão provisória presidida por Wilder Morais, com mandato previsto até maio de 2027. Entretanto, conforme a análise de Ton Paulo, a pressão interna pode antecipar uma mudança na direção.
O nome de Gustavo Gayer ganhou força nas discussões. Eleito senador com a maior votação para o cargo em Goiás, o parlamentar também mantém divergências públicas com Wilder. Recentemente, criticou a postura do presidente estadual diante das manifestações de Flávio Bolsonaro sobre o resultado da eleição presidencial.
Divergências
Outro fator que influencia a disputa pelo comando do PL é a possibilidade de aproximação com o governo de Daniel Vilela. Enquanto Wilder disputou a eleição como adversário do emedebista, integrantes da bancada eleita defendem a construção de uma relação política com o Executivo estadual. A eventual composição poderia alterar o posicionamento do partido na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e ampliar a base de sustentação do governador para o mandato de 2027 a 2030.
O cenário também coloca em discussão a capacidade de Wilder de manter o controle da legenda diante de parlamentares que defendem uma orientação diferente daquela adotada durante a campanha eleitoral. No artigo publicado pelo Jornal Opção, Ton Paulo avalia que a continuidade do senador na presidência está comprometida e menciona, inclusive, a possibilidade de uma discussão sobre sua permanência no partido. Trata-se, porém, de uma avaliação política: não há anúncio oficial de afastamento ou substituição de Wilder Morais.