02/09/25
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) inicia setembro sem avanços nos processos abertos há mais de 90 dias contra os deputados estaduais Bia de Lima (PT) e Amauri Ribeiro (UB). As quatro representações decorrem de insultos proferidos por Amauri nas sessões de 21 e 22 de maio, mas até agora não há definição de relatoria, o que trava a tramitação. Desde o recebimento das ações, em 27 de maio, a única medida adotada foi a abertura de prazo para apresentação das defesas escritas.
A indefinição se agravou após a saída de Henrique César (Podemos), que estava indicado para ser relator, mas se licenciou por motivos médicos. O suplente, Leo Portilho (Podemos), assumiu o mandato, mas não entrou automaticamente no colegiado, o que abriu nova disputa sobre quem conduzirá as representações. O presidente do conselho, Charles Bento (MDB), alega dificuldades de agenda dos membros e promete designar um relator ainda nesta semana, sem necessidade de reunião presencial.
A condução do caso tem sido marcada por falhas regimentais e desorganização interna. A própria composição do colegiado foi feita de forma equivocada, com número de membros inferior ao previsto. Além disso, Bento chegou a se registrar como relator, o que é vedado ao presidente do conselho. Procuradores da Casa o orientaram a corrigir o erro e cumprir os prazos para oitivas e elaboração de relatório.
Enquanto o Conselho permanece inerte, os embates entre Amauri e Bia voltaram ao plenário. Após semanas sem se citarem nominalmente, os dois retomaram ataques diretos no fim de agosto. O impasse mantém sem desfecho as denúncias de que Amauri teria feito insinuações falsas sobre a vida privada da petista e distorcido uma fala dela em entrevista de rádio, acusando-a de apologia à pedofilia. Nos bastidores, a expectativa é que o relatório recomende suspensão de seis meses para Amauri e advertência a Bia.