05/09/25
Em 2017, o senador Wilder Morais (à época no PP, hoje no PL) foi um dos principais articuladores da indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF). À frente das negociações no Senado, organizou um jantar no barco Champagne, em Brasília, que ficou conhecido como “barco do amor”. O encontro reuniu outros oito parlamentares e funcionou como uma espécie de “sabatina informal” para consolidar o apoio à aprovação do então ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Michel Temer.
Na época, o gesto de Wilder ajudou a garantir a entrada de Moraes na Corte. Sete anos depois, o mesmo ministro é relator de processos que investigam Jair Bolsonaro e deve ser um dos votos centrais no julgamento que pode levar o ex-presidente à condenação e até à prisão. O paradoxo expõe o peso político da articulação feita por Wilder: um aliado de Bolsonaro que contribuiu para colocar no STF o magistrado que hoje pode definir o futuro do ex-presidente.