07/09/25
A Polícia Federal aponta o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) como articulador de um esquema voltado ao desvio de verbas parlamentares por meio de entidades fictícias e associações inativas. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e resultou no cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em Goiás e no Distrito Federal.
Segundo a investigação, o grupo liderado pelo parlamentar funcionava como um “agrupamento de pessoas, com estrutura ordenada e divisões de tarefas, inserta em ambiente político, voltado para redestinar verbas parlamentares”. O delegado Leonardo Américo Angelo Santos afirma que a prática incluía falsificação de documentos e uso de despesas empresariais pagas com recursos públicos.
As apurações indicam que Gayer teria usado dinheiro público para bancar a escola de idiomas Gayer Language Institute e a loja Desfazueli, em Goiânia. Para isso, criou entidades de fachada e chegou a adquirir uma associação inativa, reclassificada como organização do terceiro setor. Essa manobra foi destacada por Moraes ao autorizar a operação, entendendo que a entidade funcionava apenas como receptora de recursos públicos.
Mensagens apreendidas pela PF reforçam a suspeita. Em diálogos entre João Paulo de Sousa Cavalcante, assessor de Gayer, e Marco Aurélio Alves Nascimento, secretário parlamentar, surgem referências diretas ao uso de verba pública para custear a escola. “Ou seja, a escola tá sendo paga com recurso público e tá sendo usada pra um fim totalmente que tipo num existe né”, diz um dos trechos transcritos pela investigação.
A PF descreve dois núcleos no funcionamento do suposto esquema. O primeiro seria formado por assessores e auxiliares de Gayer, responsáveis por organizar as operações fraudulentas. O segundo reunia pessoas que figuravam como responsáveis legais por empresas e associações usadas para receber os repasses.
Entre os envolvidos, destaca-se João Paulo de Sousa Cavalcante, dono da empresa Goiás Online, que já havia sido preso por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. De acordo com a PF, a companhia, formalmente registrada como prestadora de serviços de marketing, atuava na prática como assessoria parlamentar, chegando a gerenciar a agenda do deputado.