09/09/25
O senador Wilder Morais (PL) não apenas defendeu, mas chegou a comemorar o tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump, medida que atinge em cheio produtos goianos como carnes e mineração. A manifestação do parlamentar aconteceu durante o ato bolsonarista do último 7 de setembro, em Goiânia, no Dia da Independência do Brasil. Segundo estimativas do Monitor Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e da Universidade de São Paulo (USP), o evento reuniu apenas 1,4 mil pessoas — um público diminuto diante da mobilização nacional convocada pela extrema-direita.
Em discurso, o senador exaltou a atuação da oposição de extrema-direita no Congresso e chegou a enaltecer os movimentos de Trump. “Vocês vieram para a rua e nós, senadores da direita, fizemos a diferença”, declarou. A manifestação, marcada por bandeiras dos Estados Unidos e faixas de agradecimento ao ex-presidente americano, explicitou a contradição: Wilder festejava uma tarifa que destrói a produção brasileira.
A posição do parlamentar chama ainda mais atenção porque, além de senador, ele já foi secretário estadual de Indústria e Comércio, período em que se apresentava como defensor do setor produtivo goiano. Ao aplaudir uma taxação de 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos, Wilder praticamente abandonou os segmentos estratégicos da economia estadual — agronegócio, mineração, indústria de transformação e indústria farmacêutica —, setores que deveriam ter nele um aliado.
O impacto do tarifaço é descrito como devastador para Goiás. O encarecimento dos produtos exportados compromete a competitividade das cadeias produtivas locais, inviabiliza negócios já consolidados e sufoca setores que operam com margens reduzidas. Além da queda nas exportações, o efeito em cascata inclui volatilidade cambial, alta nos custos de insumos importados, pressão inflacionária, insegurança jurídica e o adiamento de projetos industriais e logísticos.
O contraste se torna ainda mais evidente quando comparado à postura do empresariado goiano. Nos últimos dias, uma comitiva da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) viajou a Washington para dialogar com autoridades e empresários americanos na tentativa de reverter ou ao menos mitigar os danos do tarifaço. Enquanto os representantes buscavam soluções concretas para proteger empregos e investimentos, Wilder preferiu subir ao palanque e celebrar a imposição de barreiras comerciais que sufocam a economia goiana.