12/09/25
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão, em julgamento relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. A decisão reacende lembranças da trajetória de Moraes até chegar à Corte, marcada por articulações políticas que envolveram figuras hoje aliadas de Bolsonaro.
Em fevereiro de 2017, poucos dias após ser indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer, Alexandre participou de um jantar reservado em Brasília, organizado pelo senador Wilder Morais (à época no PP-GO, hoje no PL). O encontro reuniu ao menos oito senadores, alguns deles investigados na Operação Lava Jato. Ali, o futuro ministro enfrentou uma espécie de “sabatina informal”, na qual respondeu a questionamentos sobre sua carreira como advogado, as ligações com o ex-deputado Eduardo Cunha e suas posições em debates polêmicos, como prisão em segunda instância e descriminalização das drogas.
Além de articular o encontro, Wilder Morais também votou a favor da aprovação de Alexandre de Moraes no plenário do Senado. A indicação foi confirmada semanas depois, consolidando a chegada do ministro à mais alta Corte do país.
Na época, senadores como Benedito de Lira (PP-AL), também presente no jantar, minimizaram o peso político da reunião, classificando-a como um encontro informal para discutir “temas de interesse do país”. Hoje, oito anos após aquele episódio, Moraes é o ministro que protagoniza alguns dos julgamentos mais relevantes da história recente, incluindo a condenação de Bolsonaro.