20/09/25
Presidente do Partido Liberal em Goiás, senador Wilder Morais acionou a Justiça para tentar barrar uma reportagem do Jornal Opção intitulada “Entenda por que Daniel Vilela é mais consistente para governador do que Wilder e Marconi”. A iniciativa reavivou comparações com os métodos adotados pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que em seus mandatos foi acusado de usar processos judiciais para intimidar jornalistas críticos ao governo.
Na ação, Wilder argumenta que a publicação fere sua “honra objetiva”. A medida, no entanto, segue estratégia semelhante à de Perillo, ao tratar críticas políticas — parte do debate democrático — como ofensas passíveis de censura judicial. Durante os governos de Marconi, veículos e profissionais de imprensa relataram ter sido alvo de processos e pressões com o objetivo de reduzir críticas ao Palácio das Esmeraldas.
A tentativa de impedir a veiculação do texto, que expressa opinião sobre a corrida ao governo de Goiás, é vista como uma forma de intimidação. Para analistas e profissionais da área, ao judicializar uma reportagem de caráter opinativo, o senador envia um sinal de que manifestações críticas podem resultar em ações judiciais, o que cria um ambiente de autocensura e enfraquece o direito à informação plural e independente.
O episódio ganha relevância porque Wilder integra um partido identificado com o bolsonarismo, que faz da liberdade de expressão uma de suas principais bandeiras. A atitude contrasta com a retórica de seus aliados, que frequentemente denunciam o que consideram “censura” e defendem a livre manifestação de ideias. Ao adotar medida semelhante àquela criticada em adversários, o senador se aproxima da prática autoritária que seus próprios apoiadores costumam condenar publicamente.