22/09/25
Milhares de pessoas foram às ruas de todas as 27 capitais brasileiras e do Distrito Federal neste domingo (21), protestando contra a PEC da Blindagem e o projeto de Anistia que, segundo os manifestantes, poderiam favorecer políticos acusados de corrupção, golpe ou abuso de poder. Os atos, convocados por frentes e movimentos sociais como Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular, reuniram sindicalistas, estudantes, partidos de esquerda e centro, artistas e cidadãos comuns.
Em várias capitais, as cores, cartazes e faixas denunciaram o que foi chamado de “Congresso Inimigo do Povo” e “Blindagem para corruptos”. Em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Natal, entre outras cidades, manifestantes gritaram contra a PEC, pedindo que o Congresso rejeite a proposta que exige autorização legislativa para processar criminalmente deputados e senadores.
O número de participantes variou bastante de local para local, mas ganhou destaque no Rio de Janeiro, em Copacabana, onde foram estimadas cerca de 42.000 pessoas, conforme análise da USP.
Esse comparecimento expressivo, segundo comentaristas, indica que há crescente mobilização popular contra medidas que são vistas como limitadoras da responsabilização política.
Embora majoritariamente pacíficas, as manifestações demonstraram forte indignação com os rumos do Congresso e com propostas que muitos avaliam como ataques à democracia. Discursos de artistas, incisivos cartazes, manifestações culturais e músicas fizeram parte das ruas, levantando debates sobre transparência, foro privilegiado, privilégios de políticos e a defesa de instituições democráticas.
Por outro lado, alguns parlamentares alinhados às propostas criticadas defenderam a PEC da Blindagem como necessária para proteger o Legislativo de pressões externas e de investidas judiciais que supostamente ameaçam a estabilidade institucional. A oposição, porém, alerta que, se aprovada no formato atual, a medida pode tornar políticos praticamente impunes, dificultando ou impedindo processos, mesmo nos casos de acusações graves.