23/09/25
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) votou a favor da chamada PEC da Blindagem (PEC 3/2021), proposta que altera as regras de investigação e punição de parlamentares. O texto, aprovado na Câmara com apoio maciço da bancada do PL, restringe a atuação do Judiciário em casos criminais envolvendo deputados e senadores, exigindo aval do Congresso para o prosseguimento de processos e até para prisões em flagrante.
A medida, defendida por aliados do Centrão e da extrema-direita, vem sendo classificada por especialistas e movimentos sociais como uma tentativa de criar um “escudo de impunidade”. Juristas afirmam que, se aprovada no Senado, a PEC abrirá brechas para que políticos ligados a facções criminosas busquem mandatos como forma de escapar de responsabilização judicial.
Em Goiás, o posicionamento de Gayer o coloca no mesmo campo da maioria de seus colegas da bancada, que também apoiaram a PEC. Apenas três deputados goianos votaram contra a proposta. Entre os que se manifestaram publicamente, Jorge Kajuru (PSB), no Senado, chamou a medida de “um absurdo antidemocrático que cria cidadãos de primeira e segunda classe”.
A repercussão negativa foi imediata nas redes sociais. Internautas lembraram que o próprio Gayer reconheceu, em vídeo, que a proposta poderia ser interpretada como uma “PEC da Bandidagem”, ao pedir desculpas a seus seguidores após a votação. Críticos acusam o parlamentar de incoerência ao defender endurecimento penal em outros debates, mas se alinhar a uma medida que enfraquece a responsabilização de políticos.
Agora, a proposta segue para o Senado, onde enfrenta resistência maior. Levantamentos preliminares indicam que mais de 50 senadores já se posicionaram contra o texto, número suficiente para barrar sua aprovação. A posição de parlamentares como Gayer, porém, expõe a estratégia do PL em se consolidar como principal defensor de prerrogativas ampliadas para a classe política.