28/09/25
Há um ano, a Polícia Federal deflagrou a operação “Discalculia” para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). Em decisão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Brasília e em quatro cidades de Goiás, incluindo Goiânia.
Segundo a PF, “Gustavo Gayer é apontado nas investigações como peça central da associação criminosa investigada e autor intelectual dos possíveis crimes [...], responsável por direcionar as verbas parlamentares para atividades de particulares”. O inquérito apura o uso de assessores da Câmara em “demandas privadas” e a criação de associações de fachada para captar verbas de emendas parlamentares.
O celular de Gayer foi apreendido. Policiais encontraram R$ 72 mil em espécie com um de seus assessores. Para Moraes, “os indícios colhidos pela Polícia Federal revelam que o Deputado Federal Gustavo Gayer teria empregado seus secretários parlamentares, remunerados com recursos públicos, para o desempenho de demandas privadas, bem como teria utilizado verbas públicas para manter, ainda que parcialmente, essas atividades privadas, uma vez que funcionariam em local custeado com verbas de cota parlamentar”.
Outro trecho da decisão destaca que “a aquisição de associação privada e posterior adulteração dos documentos a ela relacionados [...] ocorreu com o intuito de qualificá-la para angariar e gerir recursos públicos, destinando-os para fins não previstos legalmente”. Em ata, a PF identificou falsificação de documentos, inclusive com nomes de crianças de 1 a 9 anos no quadro social da entidade.
Em vídeo publicado nas redes sociais no dia da operação, Gayer disse ter sido acordado às 6h “com a minha porta sendo esmurrada pela Polícia Federal” e alegou: “nunca fiz nada de errado”. O deputado afirmou ainda: “O que eu sei até agora é que esse inquérito foi aberto no mês passado, 24 de setembro, né? Está aqui, ó, não dá para saber nada, ter nenhuma informação do que se trata. Sei que alguns assessores meus também receberam a busca e apreensão”.
Gayer criticou a decisão de Moraes: “Vieram na minha casa, levaram meu celular, HD, meu SSD. Essa democracia relativa está custando caro para o nosso país. Alexandre de Moraes determinou essa busca e apreensão agora, aqui no documento não fala o porquê. Numa sexta-feira, sendo que a eleição é no domingo”. Em nota de sua assessoria, reforçou que “ações deste tipo não podem ser deflagradas no ápice do processo eleitoral, posto que atos judiciários interferem diretamente na política local, o que coloca em xeque a seriedade das decisões”.
As investigações, que completam um ano, seguem em andamento. Gayer é suspeito de desvio de verbas, associação criminosa e falsificação de documentos, mas não houve, até agora, decisão final da Justiça.