29/09/25
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) voltou a anunciar sua disposição de disputar o Palácio das Esmeraldas em 2026, pela quinta vez, mas o ato realizado neste sábado (27), em Goiânia, expôs mais fraquezas do que força política. Em um auditório marcado por jingles antigos e pelo cansado slogan do “Tempo Novo”, a cena lembrava mais uma reunião de ex-alunos saudosos do passado do que o lançamento de um projeto viável para o futuro de Goiás.
O detalhe mais constrangedor: apenas três prefeitos goianos compareceram ao encontro — todos do próprio PSDB. Fora isso, alguns vereadores da Capital, dois deputados estaduais tucanos e ex-prefeitos que ainda orbitam em torno do ex-governador. Lideranças nacionais de peso? Nenhuma. Até Aécio Neves, um dos últimos entusiastas de Marconi, preferiu enviar um vídeo gravado.
Os discursos, recheados de apelos emocionados, foram uma viagem ao túnel do tempo. O prefeito de Minaçu, Carlos Alberto Lereia, teve a sinceridade de admitir a fragilidade de um projeto sustentado apenas por ex-prefeitos e uma base encolhida. Outros oradores se limitaram a pedir “piedade” ao povo goiano, como se a candidatura de Marconi fosse um ato de caridade política.
Se a intenção era mostrar força, o efeito foi o contrário. O evento esvaziado deixou claro o isolamento do ex-governador e a dificuldade de remontar um palanque competitivo. Sem prefeitos, sem deputados federais e sem apoio nacional expressivo, Marconi aposta apenas na memória.
Os números das pesquisas reforçam esse cenário. Segundo levantamento da AtlasIntel divulgado na sexta-feira (26), o vice-governador Daniel Vilela (MDB) lidera com 42,3% das intenções de voto. Wilder Morais (PL) aparece em segundo, com 16,5%, e Marconi amarga o terceiro lugar, com 15,6%, tecnicamente empatado com a petista Adriana Accorsi. Para quem já governou o estado quatro vezes, o desafio é monumental: convencer que ainda tem fôlego para ser mais que uma lembrança empoeirada do passado político goiano.