Goiânia, 29/11/2025
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Vaga de emprego em Goiânia exige que candidato seja católico e gera polêmica

03/10/25

Um anúncio de vaga em um colégio de Goiânia gerou polêmica ao exigir que candidatos ao cargo de bibliotecário fossem católicos, enquanto a graduação em Biblioteconomia aparecia apenas como requisito “desejável”. A proposta oferecia salário de R$ 2,5 mil, vale-transporte e vale-alimentação de R$ 200, além de jornada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com uma hora de intervalo. A divulgação repercutiu entre profissionais da área, que questionaram tanto o valor oferecido quanto a exigência religiosa.

O bibliotecário Adilson Ribeiro de Sá Júnior foi um dos que criticaram a publicação. Ele contou que recebeu a vaga de uma recrutadora e compartilhou com colegas, o que rapidamente levou a discussões no grupo de bibliotecários de Goiás. Segundo ele, a remuneração mínima para uma jornada de 30 horas semanais deveria ser de R$ 3 mil, valor superior ao ofertado. Adilson também destacou que a graduação em Biblioteconomia não pode ser considerada opcional, já que se trata da única exigência legal para o exercício da profissão.

Entre as funções listadas, estavam catalogação de livros, organização de acervo, apoio em sistemas de gerenciamento e incentivo à leitura. No entanto, o edital também incluía atribuições consideradas inadequadas por profissionais, como “manutenção da ordem e disciplina” e “acompanhamento de alunos em sala de estudos”, atividades que, segundo Adilson, extrapolam as responsabilidades típicas de um bibliotecário. O caso já foi encaminhado ao Conselho Regional de Biblioteconomia da 1ª Região, que abrange o Centro-Oeste.

Especialistas em direito também se posicionaram. O advogado constitucionalista Clodoaldo Moreira afirmou que a exigência de religião para a vaga é inconstitucional e configura discriminação vedada tanto pela Constituição quanto pela CLT. Ele reforçou que o Brasil é um Estado laico e que nenhuma empresa pode privilegiar uma crença em detrimento de outras. Caso se sinta prejudicado, um candidato pode buscar reparação na Justiça do Trabalho. Para o jurista, nada nas funções do cargo justifica a imposição de critérios religiosos, já que se tratam de atividades essencialmente técnicas.


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