05/10/25
A Polícia Federal (PF) investiga, desde 2024, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), assessores e aliados políticos em Goiânia, Cidade Ocidental e Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. As investigações apontam suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar, formação de associação criminosa e peculato.
A apuração surgiu a partir de provas colhidas em outro inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga os financiadores dos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. Segundo a PF, as informações indicaram a existência de uma estrutura de desvio de recursos públicos centralizada no gabinete do parlamentar, com o uso de empresas ligadas diretamente ao seu nome.
Uma das frentes da investigação trata da contratação da empresa Goiás Online, registrada como agência de publicidade e propaganda e pertencente a João Paulo de Souza Cavalcante, ex-candidato a deputado estadual. Em dezembro de 2022, Gayer enviou a Cavalcante um ofício para nomeá-lo como secretário parlamentar, mas ele estava inelegível devido à omissão na prestação de contas eleitorais.
Três meses depois, Cavalcante criou a empresa, que recebeu R$ 24 mil em três parcelas pagas até maio de 2023 com recursos do gabinete do deputado. Segundo a PF, o contrato teve como objetivo mascarar uma relação de subordinação direta, já que o empresário passou a gerir a agenda do deputado, tarefa típica de um servidor parlamentar e fora do escopo do serviço contratado.
Os investigadores também apuram o uso da verba pública para benefício próprio. O escritório político de Gayer, segundo a PF, funciona em um imóvel de sua propriedade, que antes abrigava um curso de inglês do parlamentar. O local também serve de endereço para a empresa Loja Desfazueli, registrada em nome de seu filho, Gabriel Gayer. Entre R$ 6 mil e R$ 6,5 mil mensais foram pagos com recursos públicos para o custeio do espaço.
Outra frente da investigação aponta uma tentativa de desvio de recursos de emendas parlamentares por meio da criação de uma entidade de fachada. Mensagens trocadas entre João Paulo Cavalcante e a assistente social Joselene Maria Sérgia Bastos indicam a compra de um CNPJ inativo para simular uma organização do terceiro setor e viabilizar o recebimento das emendas.
O grupo teria adquirido, por R$ 6 mil, a Associação Comercial das Micros e Pequenas Empresas de Cidade Ocidental, criada em 1999. O estatuto foi alterado para transformá-la no Instituto de Desenvolvimento & Investimento Socioeducacional, com registro retroativo a 2003. A PF observou, porém, que todos os signatários da suposta assembleia tinham idade infantil na data mencionada, o que reforça indícios de fraude documental.
De acordo com os investigadores, o objetivo era usar a entidade como beneficiária das emendas, driblando a fiscalização e concentrando os recursos em uma estrutura controlada pelo grupo político. Embora a PF tenha identificado a intenção, ainda não há provas de que o esquema tenha sido efetivamente concretizado.
Origem das provas
As suspeitas surgiram após a apreensão do celular de João Paulo Cavalcante, preso por envolvimento nos ataques de 8 de janeiro. As conversas localizadas no aparelho mostram comunicação direta entre assessores de Gayer e funcionários de seu escritório, sugerindo que parte da equipe pública atuava também em funções privadas.