Goiânia, 29/11/2025
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Discussão com arma faz Câmara de Goiânia criar plano de segurança

07/10/25

Quatro meses após ser criada, a Comissão Técnica de Implantação do Sistema de Segurança da Câmara Municipal de Goiânia concluiu seus trabalhos e apresentou um relatório que expõe falhas estruturais e operacionais na segurança da Casa. O documento recomenda uma série de medidas para corrigir os problemas, como a instalação de detectores de metais, catracas com controle facial e tag magnética, reposicionamento de câmeras e criação de um novo acesso lateral exclusivo para vereadores. As propostas ainda dependem de análise orçamentária e devem ser implementadas apenas em 2026, já que não há previsão de recursos para este ano.

A comissão foi formada em maio de 2024, após um episódio de tensão envolvendo o procurador-geral da Câmara, Kowalsky Ribeiro, e o ex-chefe de gabinete do vereador Sargento Novandir (MDB), Sérgio Dorneles, que discutiram no estacionamento da Casa enquanto portavam arma de fogo. Ambos foram exonerados, mas retornaram aos cargos um mês depois. O caso gerou repercussão e levou a Mesa Diretora a determinar a criação do grupo, formado por cinco servidores técnicos, com o objetivo de revisar protocolos e propor um plano de segurança permanente.

O relatório final, apresentado em 5 de agosto, contém uma parte sigilosa, por tratar de “pontos de vulnerabilidade” das instalações. No trecho público, o grupo destaca cobertura insuficiente de câmeras, posicionamento inadequado de equipamentos, falta de controle na entrada de armas e saturação no portão principal. A comissão também propôs a integração dos sistemas internos — como controle de acesso, CFTV e RH — em um servidor de dados mais robusto. Além disso, sugeriu que o espaço anteriormente usado pela Caixa Econômica Federal passe a abrigar um posto fixo da Guarda Civil Metropolitana (GCM), responsável pelo controle e guarda de armas.

Com o fim dos trabalhos, a Câmara deve iniciar um estudo técnico e financeiro para viabilizar as mudanças. Ainda não há consenso sobre a entrada de vereadores armados no plenário — tema que divide opiniões internamente. Uma resolução de maio de 2022 já proíbe o porte de armas por servidores e parlamentares, exceto pelos agentes de segurança da Casa. Após o incidente de maio, um levantamento mostrou que 33 dos 37 vereadores apoiam a instalação de detectores de metais para reforçar a segurança e evitar novos confrontos.


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