Goiânia, 29/11/2025
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Ex-mulher de Wilder e Cachoeira disputa na Justiça parte de mina da Vale no Pará

19/10/25

A expansão da Mina do Sossego, uma das principais operações da Vale em Canaã dos Carajás (PA), enfrenta entraves judiciais que envolvem a empresária goiana Andressa Mendonça, ex-mulher do senador Wilder Morais (PL) e do contraventor Carlinhos Cachoeira. A disputa gira em torno de um acordo firmado entre a mineradora e a empresa GB Locadora de Equipamentos e Construções, sediada em Goiás.

A Mina do Sossego é a segunda maior produtora de cobre da Vale e gerou US$ 18,8 bilhões em receita líquida em 2024. O impasse começou quando a mineradora pagou R$ 50 milhões à GB para garantir o controle de uma área de 3.818 hectares dentro do complexo, após perder o prazo para renovar o título minerário.

A Peroza Administração e Participações, empresa controlada por Andressa Mendonça, alega ter direito a um terço do valor pago pela Vale e à participação na exploração da área. A empresária afirma que sua empresa financiou os custos técnicos, jurídicos e administrativos necessários para viabilizar o projeto, mas não recebeu a parte que lhe caberia. A disputa levou Andressa a acionar a Justiça de Goiás para reivindicar o cumprimento do contrato firmado com a GB.

O litígio paralisou a conclusão da transação e criou uma disputa em duas frentes judiciais: na Justiça goiana, que analisa a ação movida por Andressa, e no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde tramita recurso da Vale para tentar reverter decisões que favoreceram a GB. Apesar do pagamento de R$ 50 milhões, a mineradora ainda não tem garantia plena sobre a posse da área.

A Vale informou, em nota, que cumpre suas obrigações legais e regulatórias, mas não comentou detalhes do acordo, alegando confidencialidade. Proprietário da GB Locadora, Cláudio Luiz da Costa ainda não se pronunciou sobre o caso.

Em sua defesa ao jornal Opção, Andressa Mendonça afirmou que a Vale tinha conhecimento prévio da participação da Peroza no negócio, mas preferiu negociar diretamente com a GB, o que, segundo ela, pode gerar conflitos jurídicos e bloqueio de valores.

Procurado, Carlinhos Cachoeira negou qualquer envolvimento. “Essa empresa é de minha ex-esposa. Esse assunto é da Andressa, e não meu”, declarou. Cachoeira cumpre pena em liberdade após condenação, em janeiro de 2024, a 9 anos e 4 meses de prisão por corrupção ativa.

O escritório QVQR Advogados, que representa a GB, foi alvo da Operação Rejeito, da Polícia Federal, sob suspeita de intermediar pagamento de propina a um diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM). A banca negou qualquer relação entre o caso e o contrato com a Vale.


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