21/10/25
A Câmara Municipal de São Paulo articula a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos destinados ao Jockey Club de São Paulo. O pedido de instalação já conta com 25 assinaturas, número superior ao mínimo necessário, e deve ir à pauta nas próximas sessões. A CPI pode resultar na convocação do ex-governador de Goiás e presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, citado em contratos e documentos ligados ao clube paulistano. A informação foi revelada pelo portal UOL.
Reportagem publicada pelo portal mostra que o Jockey recebeu R$ 83,6 milhões em incentivos públicos para restaurar seu patrimônio histórico, sendo R$ 22,4 milhões pela Lei Rouanet e R$ 61,2 milhões por meio do programa municipal TDC (Transferência do Direito de Construir). Parte desses recursos teria sido desviada por meio de empresas de fachada, contratos sem comprovação de serviço e notas fiscais incompatíveis com a obra, incluindo despesas como jantares de luxo, viagens e hospedagens. Marconi é sócio do Jockey desde 2019 e conselheiro do clube desde 2022.
Entre as empresas investigadas, algumas estão sediadas em Goiânia e ligadas a aliados e familiares de Marconi Perillo. A produtora cultural Elysium, responsável por projetos financiados com recursos públicos, é apontada como peça central do esquema e tem vínculos com ex-assessores do tucano. Outra empresa citada é a Sapé Administração de Imóveis, que recebeu pagamentos por serviços sem justificativa técnica. Com isso, vereadores paulistanos já avaliam ouvir Marconi na CPI para que ele explique sua relação com os contratos firmados pelo clube.
Além de Marconi, a CPI deve convocar dirigentes do Jockey, representantes das empresas investigadas e ex-gestores públicos que aprovaram os repasses. A Prefeitura de São Paulo já abriu uma fiscalização paralela e informou que o clube não apresentou notas fiscais referentes ao uso dos recursos do TDC. Em nota, Marconi Perillo negou qualquer irregularidade e classificou as denúncias como “leviandade”. A CPI deve ser instalada após acordo entre governo e oposição no Legislativo municipal.