22/10/25
O ex-governador de Goiás e presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, negou, em vídeo divulgado nas redes sociais, qualquer participação no suposto desvio de recursos públicos do Jockey Club de São Paulo. Ele reagiu à reportagem publicada pelo portal UOL no domingo (19/10) que cita seu nome em uma investigação sobre uso irregular de verba obtida pela Lei Rouanet.
“Agora inventaram uma fake news contra mim relacionada ao Jockey Club de São Paulo, do qual sou apenas conselheiro. A única coincidência é que algumas empresas envolvidas são de Goiás e uma das pessoas citadas tem meu sobrenome. É absurdo”, declarou Perillo. Ele também atacou os veículos que repercutiram o caso: “É uma vergonha que certas empresas de comunicação publiquem esse tipo de matéria, não sei se por dinheiro ou desinformação”, afirmou.
A reportagem do UOL aponta indícios de irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao restauro do Jockey Club. Segundo a apuração, notas fiscais apresentadas pelo clube registram despesas incompatíveis com o projeto cultural, como jantares com vinhos em restaurantes de luxo, gastos em farmácias, diárias de hotel no Rio de Janeiro e até o aluguel de um gerador enviado para Santo Antônio de Goiás, sem justificativa técnica.
O caso envolve empresas e pessoas ligadas a Goiás. Um dos contratos é com a Sapé Administração de Imóveis, registrada em nome de uma prima de Marconi Perillo. A empresa funciona no mesmo endereço da Elysium, produtora cultural goiana que ganhou destaque ao administrar projetos financiados com dinheiro público em Goiás e, mais recentemente, quatro projetos aprovados pela Lei Rouanet ligados ao Jockey. A reportagem afirma que a empresa teria sido indicada por Perillo, o que ele nega.
A Elysium pertence a João Carlos Unes — apontado como ex-assessor informal de Perillo — além de Wolney Alfredo e Sebastião Unes, tios e avô de Débora Perillo. Outra empresa citada é a Construtora Biapó, de Goiânia, que confirmou ter prestado serviços ao Jockey, mas não divulgou os valores recebidos.
O caso é apurado por uma força-tarefa do Ministério da Cultura e da Controladoria-Geral do Município de São Paulo. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que as irregularidades podem resultar em responsabilização por improbidade administrativa, estelionato e lavagem de dinheiro. Apesar disso, Marconi Perillo classifica as acusações como “perseguição política” e insiste que não tem relação com os contratos investigados.