24/10/25
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou repercussão ao sugerir que o governo dos Estados Unidos realize operações militares de combate ao tráfico de drogas na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. A provocação foi feita em rede social, em resposta a publicação de Pete Hegseth, secretário de Defesa norte-americano, que postou vídeo de ataque realizado por forças dos EUA contra embarcação com narcóticos no Pacífico.
“Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu Flávio Bolsonaro. Ao fazer o comentário, o senador propôs, em tom provocativo, que os EUA se engajem na tarefa de enfrentar milícias e grupos de narcotráfico que atuam no Brasil.
A proposta acende alertas imediatos em diversos níveis: primeiro, pela sugestão de intervenção estrangeira — ou ao menos cooperação direta — em solo brasileiro, com risco de ferir princípios de soberania nacional. Segundo, pela caracterização das organizações criminosas como “organizações terroristas”, uma definição que amplia o espectro da ação militar e de combate.
Para analistas de segurança pública, o comentário de Flávio Bolsonaro representa uma escalada retórica: embora o Brasil já participe de cooperações internacionais — por exemplo em operação de repressão ao narcotráfico —, a convocação explícita para que uma potência estrangeira atue diretamente em território nacional ultrapassa o usual, abrindo debates sobre normativas internacionais, jurisdição e diplomacia.