Goiânia, 29/11/2025
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Gustavo Gayer já usou crianças de 1 e 9 anos como laranjas em suas empresas

04/11/25

Documentos encontrados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Discalculia revelam que o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) já registrou empresas com crianças como dirigentes formais — entre elas, um bebê de 1 ano de idade. A ata analisada pelos investigadores, datada de 2003, lista um presidente de 8 anos, um tesoureiro de 6, um vice-presidente de 9 e uma menina de um ano indicada como secretária da assembleia da associação. O registro só foi levado a cartório 20 anos depois, em 2023, o que levantou suspeitas de fraude documental para uso da entidade em um esquema de desvio de emendas parlamentares.

Segundo a PF, a associação teria sido comprada por R$ 6 mil, valor pago pelo próprio Gayer, com a intenção de transformá-la em uma Oscip apta a receber recursos públicos. O objetivo, de acordo com os investigadores, não era atuar no terceiro setor, mas criar um canal privado de administração das verbas, principalmente para pagamento de pessoas ligadas ao grupo político do deputado. Conversas telefônicas obtidas pela PF indicam que assessores de Gayer tratavam da “necessidade de organizar a associação” para atender demandas de emendas e “pressão de pastores”.

A ata assinada pela bebê de um ano — apontada como secretária da reunião — foi rejeitada pelo primeiro cartório por impossibilidade jurídica, já que a associação estaria extinta. Um novo pedido de registro foi feito em outro cartório, também com indícios de falsificação, conforme a investigação. Para a PF, o uso de crianças como dirigentes fictícios reforça a suspeita de que a entidade não tinha atividade real e servia apenas como fachada para captação irregular de recursos.

A operação cumpriu mandados de busca em endereços ligados a Gayer e seus assessores, e R$ 72 mil foram apreendidos na casa de um deles. O deputado reagiu nas redes sociais dizendo que a ação ocorreu “a dois dias do segundo turno” e alegou perseguição política. Ele afirmou que a PF tenta prejudicar o candidato que apoia em Goiânia e classificou a investigação como parte de uma “democracia relativa”.


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