Goiânia, 29/11/2025
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PT busca ampliar palanque em Goiás e mira aproximação entre Zé Eliton e Marconi Perillo

09/11/25

A movimentação recente no PSB em torno da filiação e da pré-candidatura de José Eliton, ex-governador de Goiás, tem sido interpretada por lideranças políticas como parte de uma estratégia mais ampla do PT para 2026. O objetivo central não seria apenas viabilizar o nome de Zé Eliton ao governo, mas construir um palanque mais robusto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado, tradicionalmente adverso ao petismo.

Interlocutores avaliam que, embora Zé Eliton não seja considerado um nome de grande densidade eleitoral, sua presença no PSB abre caminho para negociações com outros grupos, entre eles o do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Mesmo com desgaste acumulado, Marconi ainda mantém bases eleitorais consolidadas no Estado, o que, para o PT, significa a possibilidade de um palanque menos frágil.

A articulação passa também pela vereadora Aava Santiago (PSB), cotada para assumir protagonismo no partido. A movimentação pode resultar na reconfiguração do comando da sigla, hoje sob a liderança de Elias Vaz.

O cálculo petista tem duas frentes. A primeira é retirar o PSB da base de apoio ao vice-governador Daniel Vilela (MDB), pré-candidato ao governo e aliado do governador Ronaldo Caiado (UB), que se prepara para disputar a Presidência. A segunda é criar condições para atrair Marconi Perillo a uma composição de centro-esquerda, caso o tucano não encontre espaço na direita.

Marconi tem buscado aproximação com setores conservadores, mas encontra resistência dentro do PL, especialmente do senador Wilder Morais, que se coloca como referência do grupo bolsonarista no Estado. Essa rejeição cria um impasse para o ex-governador, que precisa construir alianças para não disputar isolado.

No cenário avaliado por dirigentes petistas, uma chapa formada por Zé Eliton, Aava Santiago e eventualmente Marconi Perillo poderia oferecer maior competitividade ao palanque de Lula em Goiás. A leitura é pragmática: não se trata de acreditar que essa aliança venceria Daniel Vilela, mas de evitar que o PT repita campanhas com baixa expressão eleitoral no Estado.

O PT ainda pondera que, em eventual segundo turno, alianças formadas agora tendem a se refletir diretamente na amplitude das negociações futuras. Por outro lado, há petistas que consideram Daniel Vilela um aliado mais natural, o que mantém o tabuleiro em constante movimento.


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