09/11/25
O Jornal Opção publicou uma análise que chama atenção da direção do PL em Goiás para o cenário envolvendo o senador Wilder Morais. O parlamentar afirma a aliados que pretende anunciar sua pré-candidatura ao governo do Estado em 2 de abril de 2026. Entretanto, lideranças políticas avaliam que o movimento pode resultar em forte isolamento.
A experiência de 2022 é citada como referência. Naquele pleito, Gustavo Mendanha, então candidato ao governo, sofreu desgaste ao ficar sem alianças amplas e terminou com 25% dos votos válidos. A leitura agora é que Wilder pode enfrentar um isolamento ainda maior.
Prefeitos filiados ao PL já articulam mudança de sigla. O prefeito de São Miguel do Araguaia, Jerônimo Siqueira, deixou o partido e se filiou ao MDB, onde declarou manter alinhamento ao projeto do vice-governador Daniel Vilela (MDB). Outros gestores municipais, segundo a publicação, aguardam apenas aval político para seguir o mesmo caminho.
Prefeitos de cidades como Novo Gama e Morrinhos também dialogam com aliados do governo. Em Novo Gama, o prefeito Carlinhos do Mangão articula a candidatura da esposa, Joscilene Martins, para deputada estadual por outro partido. Em Morrinhos, Maycllyn Carreiro busca aproximação com o governador Ronaldo Caiado, com intermediação de lideranças da Assembleia Legislativa.
A tendência, conforme a análise, é que a base municipal do PL se fragmente ao longo de 2025. O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, é citado como exemplo de liderança que deve caminhar com Daniel Vilela, com quem mantém relação política anterior à de Wilder Morais.
No núcleo eleitoral do PL, outro nome com peso é o deputado federal Gustavo Gayer. Cotado para disputar o Senado em 2026, Gayer tem mostrado interesse em compor chapa com Daniel Vilela e Gracinha Caiado (UB). Segundo avaliam aliados, disputar fora da base governista reduziria a viabilidade de seu projeto.
A leitura é reforçada por um cálculo interno do PL nacional. A prioridade seria aumentar o número de senadores aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, não necessariamente disputar o governo dos Estados. Nesse contexto, a pré-candidatura de Wilder poderia contrariar a estratégia do partido, além de dificultar alianças no campo conservador local.
Nos bastidores, a avaliação é que, se Wilder insistir na candidatura ao governo sem recompor articulações municipais e alianças regionais, pode chegar à disputa com apoio reduzido entre prefeitos, vereadores e lideranças locais — ou apenas com um núcleo restrito de aliados.