Goiânia, 29/11/2025
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Condenada a 17 anos, falsa médica aparece ligada a chapa na eleição do CRO-GO

13/11/25

A falsa médica Hellen Kacia Matias, de 46 anos, acusada de deformar mais de 20 pacientes, está envolvida em uma disputa política ligada às eleições do Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO). O caso se conecta a uma operação da Polícia Civil realizada em 2023, que investigou o exercício ilegal da odontologia por profissionais que realizavam procedimentos cirúrgicos privativos da medicina em locais inadequados e ministravam cursos para pessoas não habilitadas. Hellen foi presa naquele ano, mas posteriormente obteve habeas corpus na Justiça. As informações foram revelada pelo Jornal Opção.

Documentos obtidos pela reportagem indicam que Hellen — condenada em setembro deste ano a 17 anos de prisão por exercício ilegal da profissão, execução de serviço de alto grau de periculosidade, indução de consumidores a erro e lesões corporais graves e gravíssimas — estaria atuando nos bastidores de uma das chapas que disputarão o comando do CRO-GO. As eleições estão marcadas para 28 de novembro, após terem sido anuladas pela Justiça Federal em razão de possíveis irregularidades no processo eleitoral digital.

Quatro grupos disputam a presidência do órgão: Chapa 1 (Fazer Diferente), liderada por Franciene Moreira; Chapa 2 (Vem Pro Lado Certo), presidida por Marcelo Macedo; Chapa 3 (INNOVA CRO), comandada por Rogério Dias; e Chapa 4 (Odonto Forte), sob liderança de Kamilla Malaquias. O grupo associado a Hellen integra a Chapa 2, onde ela mantém presença ativa nas redes sociais, apesar de estar impedida judicialmente de concorrer ou ocupar cargos no conselho. Relatos apontam que ela tenta preservar influência política e buscar formas de reverter ou atenuar sanções administrativas.

Os documentos também indicam que Hellen seria uma das principais financiadoras da Chapa 2 e estaria ligada a vazamentos de dados internos de outros grupos. A acusação partiu de Rogério Alves, da Chapa 3, que afirmou ter fornecido à condenada documentos sigilosos do CRO-GO para auxiliar sua defesa, prática que pode configurar quebra de sigilo funcional, prevista no artigo 325 do Código Penal. A reportagem procurou a defesa de Hellen Kacia, mas não obteve resposta até o encerramento desta edição.


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