Goiânia, 29/11/2025
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Goiano é preso suspeito de receber R$ 11 milhões em fraude no INSS

14/11/25

O empresário e engenheiro agrônomo Tiago Abraão Ferreira Lopes, morador de Itumbiara, foi preso nesta quinta-feira (13) em nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. Segundo o inquérito, ele é suspeito de receber R$ 11,7 milhões ligados a um esquema de descontos ilegais aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Tiago é diretor da Conafer, entidade nacional com sede em Brasília, e também comanda a Fafer/GO, organização vinculada à mesma estrutura. Seu irmão, presidente da Conafer, também foi preso.

A investigação aponta que Tiago tinha acesso direto ao sistema da Dataprev, enviando listas fraudulentas para inclusão de descontos associativos sem autorização dos segurados. A decisão do STF descreve o engenheiro como responsável pela execução direta das fraudes e pela lavagem dos valores desviados. Durante o cumprimento dos mandados em sua residência, em Itumbiara, foram apreendidas duas armas — um fuzil e uma pistola — registradas como CAC. Ele já havia sido alvo de busca e apreensão em abril, em fase anterior da operação.

De acordo com a PF, Tiago atuava como funcionário público “por equiparação”, ao inserir dados falsos no sistema do INSS. O inquérito cita o envio de 30 listas fraudulentas, que resultaram em descontos indevidos em mais de 650 mil benefícios previdenciários. Documentos da investigação indicam que ele recebeu R$ 5,57 milhões da Conafer e R$ 6,12 milhões por meio da Fafer entre 2019 e 2024. Empresas em nome de sua esposa, Taline Nunes Campos das Neves, teriam sido utilizadas para lavar parte dos recursos, movimentando R$ 21,8 milhões em conjunto com empresas de fachada ligadas a outros investigados.

A PF classifica Tiago como integrante do núcleo executivo e financeiro da organização criminosa. Ao todo, esta fase da operação cumpriu 63 mandados, sendo nove de prisão, em 14 estados e no Distrito Federal. Entre os detidos está o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, suspeito de receber propina mensal de R$ 250 mil para permitir a continuidade do esquema. Em Goiás, além da prisão em Itumbiara, houve cumprimento de mandado de busca e apreensão em Anápolis, ligado ao braço de lavagem de dinheiro da quadrilha.

A corporação investiga crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. Em nota, a Conafer alegou que o caso está inserido em “contexto político e midiático” e pediu respeito à presunção de inocência dos investigados. A entidade afirmou que a operação prejudica suas atividades no campo e se disse disposta a cooperar para o esclarecimento dos fatos. A defesa de Tiago Lopes não foi localizada pela reportagem.


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