15/11/25
Em 26 de novembro de 2000, o então comerciante Gustavo Gayer dirigia um veículo Corsa por trecho da GO-480, em Rialma (GO), quando colidiu com ônibus da empresa Transbrasiliana. O acidente causou a morte de duas pessoas — Wilkens Souza Santos e Sander Ercione Morais — e deixou uma terceira vítima paraplégica. Relatórios da época apontam que Gayer estava embriagado e participava de disputa de velocidade (racha). Atualmente deputado federal pelo PL e ligado à ala mais radical da direita bolsonarista, ele recorreu ao direito de “devido processo legal” após o ocorrido.
O processo criminal que pesava sobre Gayer não resultou em julgamento, por prescrição. Ainda assim, o episódio ressurge como elemento de crítica à cultura de impunidade e à tolerância política em torno de parlamentares com histórico de gravíssima conduta.
Na linha dura do discurso — que defende execução sumária de criminosos — a contradição se evidência: em seu acidente, ele próprio exigiu proteção legal, quando sob críticas de que “deveria ter sido linchado e executado ali mesmo pelos policiais”, segundo comentário viralizado. O episódio revela inconsistência entre pautas defendidas publicamente e experiências pessoais do parlamentar.
A trajetória de Gayer representa uma interseção entre gravidade da conduta, atuação política e imagem pública: ele permanece ativo em Brasília, influente entre bolsonaristas, sem que o episódio tenha impedido sua ascensão. A consequência real para ele foi diminuta — o que reforça debate sobre tratamento desigual e a exigência seletiva de responsabilidade para atores públicos.