Goiânia, 29/11/2025
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De liberal a “companheiro”: a surpreendente metamorfose de José Eliton

17/11/25

Em Goiás, a política anda tão criativa que até a física quântica pediria revisão de currículo. José Eliton, que até outro dia era um liberal de manual — desses que o DEM (e a Opus Dei do Alckmin) aplaudiam de pé — agora surge como a nova estrela da esquerda goiana. É só dar uma espiada nas entrevistas antigas para lembrar: esquerdista ele nunca foi. Mas, como a política é a arte da metamorfose, aqui estamos nós, assistindo ao ex-governador se reinventar como um “esquerdista de direita”, categoria ainda não registrada, mas certamente em vias de patente.

A conversão de José Eliton ao progressismo foi tão suave que o PT até estranhou. Afinal, sempre achou as posições dele neoliberais demais até para uma conversa de bar. Mas bastou um aperto de mãos e algumas fotos ao lado de Geraldo Alckmin para o milagre acontecer. A pergunta que circula é quase filosófica: mudou José Eliton, mudou a esquerda ou todo mundo resolveu trocar de roupa no mesmo camarim?

Agora, com a naturalidade de quem troca de time, o PSB e parte da esquerda articulam José Eliton como candidato a governador. O plano é simples: não ganhar, mas montar um palanque para Lula em Goiás — e, convenhamos, qualquer palanque já seria lucro. O vice pode vir do PV ou do Cidadania, o PT quer empurrar Luiz Cesar Bueno ao Senado, e Kajuru… bem, Kajuru aparentemente prefere não estar ali, mas deve sobrar para ele mesmo assim. Pesquisas mostram o senador apanhando de todos os lados, mas insistem: “Kajuru irá a senador”. Assim, no modo obrigatoriedade afetiva.

O cenário fica ainda mais divertido com o dilema existencial de Marconi Perillo. O PSDB deseja ser amado pelo bolsonarismo, mas é o PT quem manda flores. Marconi, porém, prefere sofrer — sonha com a bênção de Wilder Morais e Gustavo Gayer, que não querem nem ouvir falar dele. Resultado: enquanto o tucano suspira pela direita, quem realmente lhe oferece guarida é a esquerda de Adriana Accorsi, Rubens Otoni e companhia. É o clássico caso em que o casamento ideal existe, mas só para um dos lados.

No fim, o roteiro é claro: se o PSB topar, a esquerda lançará para governador justamente José Eliton — aquele mesmo escolhido por Marconi. Tudo para cumprir a missão petista em Goiás: ter um candidato, montar um palanque para Lula e, de quebra, tentar fisgar um pedacinho do eleitor conservador. E, claro, sempre há espaço para teorias novas: alguém no tucanato já imagina até Marconi apoiando José Eliton, entrando na chapa ou virando candidato a deputado. Em Goiás, o amor político pode até ser imperfeito — mas jamais é monótono.


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