17/11/25
Wilder Morais decidiu que será candidato a governador de Goiás em 2026, pelo menos é o que afirma a aliados, garantindo que lançará sua pré-candidatura. Wilder está determinado a disputar o Governo de Goiás, ainda que essa seja uma vontade muito mais pessoal do que partidária. A insistência de Wilder, porém, esbarra num problema que cresce a cada semana: ele não tem apoio real dentro do próprio PL. O partido, que já foi uma das forças mais ruidosas no estado, hoje amarga defecções silenciosas e uma queda de influência nos bastidores. Prefeitos, vereadores e lideranças regionais vêm migrando para Daniel Vilela, do MDB, por entenderem que um candidato competitivo precisa de musculatura política — coisa que o PL de Goiás, cada vez mais fragmentado, não demonstra ter no momento.
Na prática, o que circula dentro do PL é que a candidatura ao governo não é um projeto da sigla, e sim um projeto de Wilder Morais. E isso afasta apoios. As lideranças temem que embarcar numa aventura eleitoral sem estrutura comprometa outras disputas estratégicas do partido, como a vaga ao Senado, considerada prioridade pela cúpula nacional. O cálculo é simples: apoiar Wilder agora pode custar cargos, espaços e até sobrevida política num estado dominado por Caiado, Gracinha e Daniel.
Esse é justamente o motivo pelo qual Gustavo Gayer avalia, com frieza, ficar na chapa governista em vez de caminhar ao lado de Wilder. Em um cenário ao lado de Daniel Vilela e Gracinha Caiado, o deputado teria chances reais de disputar o Senado. Mas integrar a chapa de Wilder significaria enfrentar nomes mais fortes, como Gracinha e Gustavo Mendanha, e correr o risco de naufragar com um PL que dá sinais de encolhimento. A ala bolsonarista sabe que a sobrevivência política, em Goiás, passa por cálculos pragmáticos — não por fidelidade a projetos pessoais.
Por isso, já se admite que figuras importantes do PL — como Gayer, Major Vitor Hugo e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa — possam simplesmente não aparecer no lançamento da candidatura de Wilder. A ausência deles, porém, não seria um acidente: seria o retrato exato do momento do PL em Goiás. Um partido que se esvazia, não define rumos, perde quadros e observa seu principal postulante insistir em uma candidatura que poucos, quase nenhum, consideram viável. Wilder pode até lançar sua campanha. O que ele não terá, ao que tudo indica, é companhia.