19/11/25
A atual gestão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia identificou uma série de irregularidades em um convênio de R$ 11,7 milhões firmado sem licitação entre a administração anterior e o Instituto Idesp, de Palmas. O contrato foi assinado em junho de 2024, ainda na gestão do então prefeito Rogério Cruz (SD), para serviços de digitalização de documentos. A velocidade dos repasses, feitos sem comprovação da execução, levou o caso a ser investigado pela Polícia Civil, que deflagrou operação de busca e apreensão nesta terça-feira (18).
Relatórios da atual gestão apontam que o convênio firmado durante a administração Rogério Cruz ignorou ritos essenciais, como atesto do serviço, assinaturas de aprovação nos relatórios e entrega do material contratado. Também chamaram atenção os pagamentos acelerados, considerados fora do fluxo normal da pasta. Por determinação do prefeito Sandro Mabel (UB), o secretário Luiz Gaspar Machado Pellizzer suspendeu o convênio em janeiro, durante a revisão dos contratos herdados.
A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) cumpriu mandados em quatro estados para bloquear bens de seis investigados ligados ao contrato, entre eles o ex-secretário Wilson Pollara e o ex-subsecretário Quesede Ayres Henrique. A investigação aponta indícios de contratação direta ilegal, fraude na execução, associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Os pagamentos ao Idesp foram feitos em apenas 35 dias, entre julho e agosto de 2024, período em que a gestão Rogério Cruz enfrentava forte crise na saúde municipal.
O processo de contratação também não demonstrou critérios para a escolha do Idesp, que não apresentou capacidade técnica compatível com o serviço. Apesar de ter recebido o valor integral, a atual gestão afirma que o trabalho foi cumprido apenas parcialmente. A SMS prepara a rescisão definitiva do convênio e avalia judicializar o caso para reaver os recursos pagos. A defesa de Pollara disse que ele desconhecia os repasses feitos durante seu afastamento, enquanto o Idesp afirma que o caso está sendo apurado. Ainda não há informações sobre o destino dos R$ 11,7 milhões pagos na gestão Rogério Cruz.