Goiânia, 29/11/2025
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Marconi quer voltar ao governo com currículo de escândalos e derrotas

20/11/25

Marconi Perillo (PSDB) parece ter decidido fazer da política goiana uma espécie de série de TV sem fim. Mesmo depois de duas derrotas consecutivas para o Senado, em 2018 e 2022, o tucano segue testando a paciência do eleitor ao ensaiar mais uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas, como se o histórico recente fosse apenas um pequeno mal-entendido das urnas.

A ironia é que esse projeto de “volta triunfal” acontece justamente quando o PSDB vive o pior momento de sua história. O partido encolheu nas eleições municipais de 2024, caiu de 4º para 8º lugar em número de cidades conquistadas e viu seu total de prefeitos despencar de 799 em 2016 para 273 em 2024

Para completar o quadro, os tucanos não elegeram um único prefeito em capitais naquele ano, algo inédito desde a fundação da sigla, desaparecendo inclusive de São Paulo, seu berço político

 É desse PSDB em franca desidratação nacional que Marconi é presidente, por enquanto, e de onde tira fôlego para anunciar mais um velho “tempo novo” para Goiás. Se fossem apenas as derrotas eleitorais e o partido em ruínas, já seria material suficiente para um bom roteiro de drama político. Mas o currículo recente é mais robusto.

Marconi acumula um histórico de investigações e acusações de corrupção, que vai desde suspeitas de propina quando governador – incluindo prisão em 2018 na Operação Cash Delivery, por suposto recebimento de R$ 12 milhões da Odebrecht – até o bloqueio de bens em operação da Polícia Federal sobre desvio de recursos da Saúde entre 2012 e 2018, na Operação Panaceia, em 2025

Como se o repertório já não estivesse suficiente, surge agora o capítulo Jockey Club de São Paulo. Auditorias e reportagens apontam suspeitas de desvio de dezenas de milhões de reais em verbas obtidas via Lei Rouanet e Transferência de Direito de Construir, que deveriam financiar a restauração do hipódromo, mas acabaram associados a gastos de luxo, empresas de fachada e despesas sem relação com o projeto

 No meio desse enredo, aparece o nome de Marconi como conselheiro do clube e figura ligada a empresas e personagens beneficiados, sendo acusado em reportagem de participar de suposto desvio de R$ 83,6 milhões – acusações que ele, claro, classifica como “leviandade política” e nega veementemente

Diante de tudo isso, não deixa de ser curioso – para dizer o mínimo – que a solução imaginada por Marconi e pelo PSDB para o futuro de Goiás seja justamente a sua volta ao governo. Um partido em queda livre no país, um líder que acumula derrotas nas urnas, operações policiais e agora a sombra de um escândalo milionário envolvendo o Jockey de São Paulo: esse é o pacote que se apresenta ao eleitor goiano como promessa de “renovação”.

Se insistir em ser candidato em 2026, talvez Marconi não esteja tentando voltar ao passado glorioso – apenas prolongar um passado sombrio que o eleitor, repetidamente, parece querer deixar para trás.


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