22/11/25
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) publicou no X uma crítica ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), após este restabelecer o mandato do vereador Renato Freitas (PT-PR), cassado por invadir protesto contra o racismo na igreja do Rosário, em Curitiba. Na postagem, Gayer escreveu: “Esse verme já foi cassado após invadir uma igreja e aterrorizar cristãos mas o BARROSO no STF devolveu seu mandato”.
A expressão usada pelo parlamentar chamou atenção. O detalhe, no entanto, é que Gayer omite de suas críticas o próprio passado: ele acumula uma ficha corrida que inclui acidente em novembro de 2000 em Rialma (GO), quando dirigia embriagado e colidiu com um ônibus numa rodovia urbana (GO-480). O episódio resultou na morte de dois passageiros — Wilkens Souza Santos e Sander Ercione Morais — e deixou uma terceira pessoa com lesões graves, incluindo paraplegia.
A investigação no caso apontou concentração elevada de álcool no sangue e indícios de racha entre veículos. O Ministério Público ofereceu denúncia por homicídio culposo e lesão corporal culposa, mas o processo terminou em prescrição sem julgamento de mérito.
Além disso, Gayer é alvo da operação Discalculia, conduzida pela Polícia Federal com autorização do STF, que investiga suposto desvio de verbas parlamentares via associação criminosa. Em nota, a PF afirma que o deputado “é peça central da associação criminosa investigada e autor intelectual dos possíveis crimes”.
Na prática, a crítica de Gayer à invasão de igreja soa inconsistência diante de seu próprio histórico. A figura pública que defende “ordem” e pune simbologias agora se vê imersa em episódios que questionam sua conduta.