25/11/25
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia estima que três em cada dez pacientes que agendam consultas na atenção primária não comparecem aos atendimentos. O índice, que envolve consultas com médicos da família, clínicos gerais, ginecologistas e pediatras, preocupa a gestão municipal. Embora o total de faltas acumuladas em 2025 não tenha sido divulgado, a pasta lançou nesta segunda-feira (24) uma nova ferramenta para tentar reduzir o absenteísmo.
O assessor técnico da SMS, Frank Cardoso, afirma que as ausências têm múltiplas causas, que variam desde imprevistos de saúde no dia da consulta até dificuldades com transporte, compromissos inesperados e simples esquecimento. Segundo ele, 43,8 mil pessoas deixaram de comparecer às consultas no primeiro semestre deste ano. A secretaria informou que 871 mil atendimentos foram realizados na atenção primária no período, mas não apresentou um consolidado das faltas no ano. Mantida a taxa de 30%, o número de ausências ultrapassaria 370 mil.
A apresentação dos dados pela Prefeitura tem gerado dúvidas. Apenas nesta semana, o prefeito Sandro Mabel (UB) citou diferentes percentuais de absenteísmo: mais de 60% em entrevista ao POPULAR, e 66% em declaração ao Jornal Anhanguera. Ele também afirmou que, das 30 mil consultas ofertadas, cerca de 20 mil não são comparecidas pelos pacientes. A SMS, porém, não confirmou esses números e informou apenas a distribuição dos atendimentos: 63% feitos por clínicos e médicos da família, 20,7% por ginecologistas e 16,3% por pediatras.
Apesar das inconsistências, a Prefeitura aposta na ampliação do aplicativo Prefeitura 24 Horas, que passa a oferecer a opção de cancelamento de consultas pelo serviço Mais Saúde Goiânia. A ferramenta inicia operação com mais de 10 mil vagas disponíveis e deve facilitar a remarcação e liberar horários ociosos. O sistema permite agendar consultas com diversas especialidades da atenção primária e utiliza geolocalização para indicar unidades próximas; contudo, está disponível apenas para usuários com cadastro no SUS.
O tempo médio de espera por uma consulta, segundo a SMS, é de até uma semana. Não há previsão de punições formais a quem falta ou deixa de cancelar atendimentos, mas o prefeito mencionou a possibilidade de criar uma “lista de alerta” que ampliaria o prazo para novos agendamentos em caso de reincidência — medida considerada inconstitucional pela presidente da Comissão de Direito da Saúde da OAB-GO, Caroline Santos. Ela ressalta que qualquer restrição ao acesso ao SUS teria de ser regulamentada por lei federal, já que o direito à saúde é garantido pelo Artigo 6º da Constituição.