Goiânia, 29/11/2025
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PL racha e impede avanço de projeto no Congresso que pode livrar Bolsonaro

25/11/25

Deputados da bancada goiana avaliam que a oposição no Congresso enfrenta dificuldades para fazer avançar o projeto de Lei da Dosimetria, mesmo após a manutenção, nesta segunda-feira (24), da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A detenção ampliou a pressão de lideranças da direita pela votação da matéria, originalmente idealizada para buscar anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas hoje restrita à possibilidade de redução de penas.

Para o deputado Zacharias Calil (UB), o futuro da proposta dependerá das articulações entre líderes partidários a partir desta terça-feira (25). Ele avalia, porém, que há resistência significativa dentro do próprio campo oposicionista. “Acho que a direita não vai aceitar esse projeto, apesar da possibilidade de ter um acordo. Houve convocação do líder da oposição, Sóstenes Cavalcante (PL/RJ), para uma reunião em Brasília e decidir os rumos após a prisão do Bolsonaro. A princípio, vejo que não agrada a maior parte da oposição”, afirmou.

O impasse ficou evidente na reunião realizada nesta segunda na sede nacional do PL, que contou com a presença de integrantes da família Bolsonaro. O texto da dosimetria, relatado por Paulinho da Força (SD/SP), enfrenta divisões internas: uma ala do partido considera a proposta a única saída possível, enquanto outra, mais radical, rejeita qualquer alternativa que não seja uma anistia ampla e irrestrita.

Após o encontro, o deputado Gustavo Gayer (PL) reforçou essa divisão ao anunciar, em vídeo nas redes sociais, que a conclusão do grupo foi tentar votar o PL da Anistia já nesta quarta-feira (26), sem mencionar a dosimetria. Gayer foi um dos parlamentares que retiraram apoio ao texto em outubro, quando pediu o desapensamento de um projeto de sua autoria — que revoga artigos do Código Penal ligados a golpe de Estado — da proposta relatada por Paulinho. O relator, por sua vez, acreditava que a prisão do ex-presidente daria “impulso” à tramitação.

Enquanto isso, o STF confirmou por unanimidade, na Primeira Turma, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão preventiva de Bolsonaro. O julgamento, realizado em sessão extraordinária virtual, contou também com os votos de Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, consolidando o entendimento da Corte e ampliando a pressão política sobre o Congresso em torno do tema.


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